quarta-feira, 26 de outubro de 2011

The Present – O relógio anual

Está tudo passando tão rápido que parece impossível fazer um acompanhamento do que está acontecendo em volta da gente.

Às vezes a gente nem consegue curtir as coisas na hora, só se dá conta de como foi legal algo que aconteceu conosco, algumas semanas depois. Ou seja: muitas vezes não conseguimos perceber como a vida é boa no momento em que ela ocorre e sim algum tempo depois - às vezes, meses depois - num momento mais tranqüilo, lembrando do que ocorreu com certa nostalgia de ter deixado aquele instante passar sem curti-lo na sua plenitude.

Como é que podemos viver o momento se este muda com tanta rapidez a cada instante?

Pensando neste aspecto frustrante da aceleração das nossas vidas, o designer norte americano Scott Thriftx criou o “The present”, um relógio analógico que, em vez de 12 horas (ou uma hora ou 1 minuto) para completar o ciclo, seu único ponteiro percorre o círculo em ...1 ano. O mostrador indica a passagem das estações, indo do branco azulado do inverno ao verde da primavera ao amarelo do verão ao vermelho do outono.

O objetivo de Thriftx com seu novo produto é permitir uma maior consciência sobre o agora, deixando de lado as pressões do cotidiano, dentro de uma perspectiva de tempo de prazo mais longo.

É o uso de uma nova escala pra se olhar o tempo, já que os dias, as semanas e até os meses passam tão rápido.

Thriftx diz que The Present é inspirado por – e um perfeito presente para músicos, escritores, pensadores, amantes, grávidas, gente de bem com vida, artistas, filósofos, construtores, estrategistas, professores, visionários, lideres que pensam a longo prazo, hemisférios cerebrais direitos - e esquerdos que queiram mudar- ou qualquer pessoa que simplesmente queira ser o dono do seu “hoje”.

Para saber mais detalhes do projeto (e como adquirir o The Present) clique aqui.



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

E agora? Onde vou enfiar o que comprei?


Uma das lojas que mais gosto de visitar quando viajo aos EUA é a The Container Store (http://www.containerstore.com). É fascinante a diversidade e a criatividade de produtos para se organizar tudo dentro de uma casa: do banheiro à garagem, da cozinha ao quarto, do home office à área de serviço. Sempre me surpreendo com as novidades sobre como podemos melhor estocar e organizar as coisas que vamos acumulando ao longo do tempo.

Não é para menos. Não paramos de consumir, seduzidos pelas novidades: livros, calçados, utensílios de cozinha, roupas, tecnologias digitais, material esportivo, acessórios de moda... A lista é infinita. De vez em quando nos assustamos com as horas que estamos gastando para tentar manter a casa (ou escritório) arrumado, em meio a coisas que se avolumam fora de lugar. Há de fato uma relação muito íntima entre desorganização - pessoal e dos espaços à nossa volta - e a improdutividade.

Aí, saímos atrás de soluções. Pode ser a simples compra de um armário extra, ou umas caixas para acomodar melhor itens que estejam “sobrando; pode ser uma decisão mais radical, contratado uma das tantas lojas especializadas em cozinhas, banheiros e armários planejados; ou, se você é de fato uma pessoa MUITO ocupada (ou MUITO desorganizada) pode ser a contratação de um(a) personal organizer para lhe assessorar.

A exemplo da Container Store, são novas oportunidades de negócios para ajudar a conciliar duas questões conflitantes e paradoxais: os espaços cada vez mais exíguos das moradias nos grandes centros urbanos e nosso apetite por consumir, por comprar sem parar, indiferentes aos impactos que essas compras podem estar trazendo para a sociedade . Quem sabe vale a pena pensar na pergunta que dá título a este texto, toda vez que alguma tentação de compras “duvidosas” nos assalte.

Dois exemplos interessantes da Container Store: Sapatos http://www.containerstore.com/shop/dorm/closet/shoeStorage Lixo e reciclagem: http://www.containerstore.com/shop/trashRecycling

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sinal de Paulinho da Viola continua fechado



Acho que pouca gente vai lembrar disso. Paulinho da Viola ganhou o Festival da Record de 1969 (42 anos atrás!!) não com um de seus sambas antológicos, mas com esta canção. Que, por sinal, poderia ter sido composta hoje. Não mudou nada. Ou melhor, mudou: pra pior.

SINAL FECHADO
Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro , e você?
Tudo bem, eu vou indo, em busca
De um sono tranquilo, quem sabe?
Quanto tempo pois é, quanto tempo
Me perdoe a pressa
É a alma dos nosso negócios
Qual, não tem de quê, eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana,prometo, talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo, pois é quanto tempo
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone
Eu preciso beber alguma coisa rapidamente
Pra semana O sinal
Eu procuro você
Vai abrir, vai abrir!
Prometo, não esqueço
Por favor, não esqueça
Não esqueça, não esqueça , não esqueça

Aqui você pode ver ou rever três momentos, todos emocionantes:

Paulinho cantando a música, já vitorioso, no Festival em 1969. Clique aqui. 

A versão de Elis Regina, em 1978. Clique aqui. 

E Paulinho de 2009, no Acústico MTV. Clique aqui.




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ecologia do tempo?


Todo mundo está aí falando de meio ambiente, de recursos naturais não-renováveis e dessas outras pequenas e grandes questões que tem inquietado a humanidade ultimamente. Mas praticamente ninguém faz menção ao único recurso não renovável, não reciclável e não estocável do planeta. Um recurso que vem se tornando escasso para a grande maioria das pessoas, nesse mundo acelerado e em permanente transformação. Servan-Schreiber* foi um dos poucos que vi tratando disso: “Esse grito de alerta em favor da natureza, lançado pelos ecologistas (cuja batalha, aliás, ainda está longe da vitória), deveria repercutir em cada um de nós, no que diz respeito ao nosso próprio tempo.”

Mas não. A vida moderna continua sua marcha irrefletida e torna o tempo um recurso cada vez mais crítico, medido em frações de segundo. Quase todos têm procurado acelerar suas vidas, como se isso fosse possível de ser feito indefinidamente.

Não faltam razões para que o tempo mereça, também, os mesmo cuidados que temos com tantos outros recursos naturais ameaçados. O respeito por um bem escasso como o nosso tempo - e a nossa vida - e cuidado com o tempo e a vida dos outros são atitudes de essência muito semelhante ao respeito que devemos à natureza.

Este respeito começa pelo respeito ao nosso próprio tempo, é claro. Mas passa também pelas “infinita” rede de interações com outras pessoas, em que somos ora vítimas, ora vilões de atitudes desrespeitosas e anti-ecológicas com relação ao tempo.

Salve o Planeta e viva (bem) o seu tempo!

* Jean-Louis Sevan-Schreiber em "A Arte do Tempo"

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Iroko, o Orixá do Tempo

Iroko ou Tempo, como também é conhecido, é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Representa, assim, a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc., representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás.

Iroko vive na mais suntuosa árvore que há numa roça de candomblé e também nas matas. Desrespeitar Iroko, a grande árvore, é desrespeitar sua dinastia, seus avós, seu sangue...

Iroko é a própria representação da dimensão Tempo. Toda a criação está nos seus desígnios. E é ele que acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo.
Corresponde a entidades cultuadas em diversas civilizações. Enki, o Leão Alado na Mesopotâmia e Babilónia; Anúbis, o deus Chacal, no Egipto; Teotihacan entre os Incas e Viracocha entre os Maias; também presente no Panteão Grego e Romano, onde era conhecido e respeitado como Cronus, o Senhor do Tempo e do Espaço, que abriga e conduz a todos inexoravelmente ao caminho da Eternidade. Fontes/referências: http://www.orixas.com.br e http://ocandomble.files.wordpress.com
Fonte da ilustração: http://ryanagabecholiveira.blogspot.com/2010/05/iroko.html

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Quando você precisa de ajuda, prefere pedir a pessoas bastante ocupadas?

Nunca tinha acontecido antes, comigo. Ao menos não me lembro. De modo que acho tudo muito estranho e estou com dificuldades de lidar com o assunto. Há algumas semanas, tendo contatar sem sucesso um parceiro de negócios para esclarecer uma questão muito relevante e de grande interesse para minhas tarefas e meus resultados. Com se trata de uma pessoa em posição elevada, na organização parceira, todos os seus subordinados que estão envolvidos no projeto apontam para a necessidade de uma consulta direta a ela. Sei que ela é ocupadíssima, mesmo. Até por conta de sucessivas reorganizações que têm ocorrido na sua empresa, em que seu papel se tornou ainda mais crítico e mais essencial.

Mas são semanas, quase dois meses, em que não obtenho resposta de e-mails e os recados telefônicos não são respondidos, que agora já estão entrando até no terreno da descortesia, da falta de respeito no trato de um assunto importante.

Aí, esses dias, pela “milésima” vez, ouço alguém comentar que quando tem que pedir ajuda, prefere fazê-lo a uma pessoa realmente bastante ocupada. E justifica: são as mais eficazes e realizadoras e vão acabar encontrando um jeito de ajudar. O exemplo que acabo de contar contraria totalmente esta lógica. Decidi, então, fazer esta pequena pesquisa aí ao lado, para saber a opinião dos visitantes e leitores do blog. Participe!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Você trabalha melhor sob pressão do tempo?


Tem muita gente que diz que sim. Uns, até com certa convicção, confessando que nem conseguem trabalhar de outro jeito: têm que sentir uma “cafungada forte no cangote” para conseguir fazer as coisas.

O pessoal que faz trabalho eminentemente criativo tem uma explicação para o fato de gostarem de ter prazos razoáveis para realizar certos tipos de tarefas (que implicam na combinação de conceito e execução, por exemplo), ainda que só se debrucem sobre elas nos últimos momentos. A cenógrafa Lia Renha comentou, certa vez: “A criatividade não tem um tempo cronológico, não tem um tempo definido”. Miguel Paiva, cartunista e artista muiti-midia, acrescenta: “Mesmo que você só trabalhe no último dia, é importante o intervalo para ir se familiarizando com a idéia, ir criando”. E Lia arremata: “Em dez minutos fiz o desenho. A idéia estava ruminando na minha cabeça há dias. Já estava pronta e eu nem sabia até sentar e desenhá-la.“

Mas será que isto se aplica a qualquer situação, seja profissional, seja doméstica, seja pessoal?

Eu, pessoalmente, acho que isto não faz o menor sentido. Em geral, as pessoas que gostam de trabalhar sob pressão não tem seus grandes objetivos bem definidos e acabam sendo pautadas pelos objetivos dos outros. Em muitos casos, empurram com a barriga até a situação se complicar e virar uma crise, até a temperatura subir e virar incêndio. Assim, tudo vira urgente, urgentiíssimo, e ele(a) apareça como o bombeiro chefe, salvador(a) da pátria, “o(a) cara”, o(a) que resolve esses grandes pepinos fabricados por ele(a) mesmo(a), mesmo que isso custe, em geral, muito mais tempo – e energia - para a tarefa ser feita.

Nestes casos, o que fica é o stress, a improdutividade, o desgaste; e a sensação de falta de tempo, sempre uma desculpa e, principalmente, um ótimo bordão.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A sustentável leveza da arte de Domingos Tórtora



















Domingos Tórtora é mineiro, trabalha em Minas, mas sua obra é universal. Não apenas pela sua linguagem como designer e artista plástico mas, principalmente, por se inserir num perfeito ciclo de desenvolvimento sustentável. A matéria prima de seu trabalho é apenas uma: cartolina de embalagens usadas, ou seja, material para reciclagem. Com isso, ajuda a manter as árvores como devem estar: de pé
Em um processo certificado, o papelão a ser reciclado é dividido em pequenos pedaços e se transforma em uma polpa que serve como matéria prima básica para a fabricação de móveis, objetos e peças escultóricas. As peças são moldadas à mão, secadas ao sol e recebem uma acabamento bastante refinado. Neste processo belo e trabalhoso, que respeita o "timing" e os ritmos da natureza, o papelão que se originou da madeira, essencialmente, é trazido de volta a um ciclo completo, e assume uma qualidade de madeira, como novo.

CLIQUE AQUI para conferir este "milagre" de transformação e as belíssimas obras de design que dele resultam.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Tempo e Poesia - Vinicius de Moraes

Poética (Vinicius de Moraes)

De manhã escureço
De dia tardo

De tarde anoiteço

De noite ardo.


A oeste a morte

Contra quem vivo

Do sul cativo

O este é meu norte.


Outros que contem

Passo por passo:

Eu morro ontem


Nasço amanhã

Ando onde há espaço:

– Meu tempo é quando

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Isto ou aquilo? Chave para o tempo e a sustentabilidade.

"Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
E vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
Se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
Qual é melhor: se isto ou aquilo."


Estes versos de Cecília Meireles – escritos para crianças de qualquer idade - traduzem muito bem a nossa perplexidade, que se repete a cada instante, ao termos de fazer escolhas diante das mínimas coisas. Escolhas que vão traçando o nosso caminho e os nossos destinos, passo a passo. As escolhas entre “isto” ou “aquilo” determinam também como o nosso tempo será usado. A decisão será sempre de cada um de nós.

Mas há outras questões. Tudo o que fazemos - tudo - gera algum tipo de impacto. Impacto sobre nós mesmos, na maioria das vezes. Mas também sobre as outras pessoas ou sobre o ambiente em que vivemos. Quando vemos o balanço preocupante, muito preocupante do que está ocorrendo no planeta e na sociedade, nem sempre lembramos de que este resultado tem muito a ver com as escolhas que temos feito – e continuamos fazendo.

Sobre as escolhas passadas, só podemos lamentar. Sobre as escolhas de agora – e as do futuro – que continuarão a ser necessárias para responder à incansável indagação do “Isto ou Aquilo?”, o cenário é completamente diferente. Nós tempos, sim, como antecipar a natureza e a intensidade dos impactos que iremos causar com as pequenas - e grandes – decisões, sobre nosso tempo, sobre os outros e sobre o Planeta. Optar por “Isto” ou por “aquilo” pode então ficar mais simples, mais prazeroso e mais proveitoso para todos nós.

sábado, 16 de julho de 2011

Filho ajuda ou atrapalha na administração do tempo?


Uma leitora amiga do blog fez, esta semana, o seguinte comentário:

"Sempre reclamamos da falta de tempo... mas quando temos filhos descobrimos que o que tínhamos antes era tempo livre mal administrado".

Ela levanta uma questão de fato muito interessante. Ninguém tem dúvida das radicais mudanças que ocorrem com a chegada de um filho, especialmente o primeiro. As prioridades convergem para o recém chegado(a) e o tempo da família passa a ser regulado por isso, durante um bom período.

Mas qual é o aprendizado que fica, sob a perspectiva da gestão do tempo, a partir daí?

É admirável a capacidade das mães – e, agora, crescentemente dos pais – de lidar com as novas variáveis que surgem com a ampliação da família, sem deixar o trabalho (e/ou outras atividades) de lado, principalmente nos primeiros anos. Seu esforço não é pequeno, por exemplo, ao telefone (e aos celulares), nas mínimas brechas de outras atividades, “tele-pilotando” babás, creches ou avós, dando orientação, pacificando crises e curtindo as boas notícias ao longo do dia.

Será que isso é apenas uma maneira resignada de aceitar que não tem mesmo tempo para muita coisa “sua” além dos filhos e do trabalho? (afinal, os anjinhos valem a pena, mesmo).
Ou será que, como sugere a leitora, a chegada dos filhos nos obriga – e nos ensina - a administrar o nosso tempo com muito mais sabedoria e técnica?

Este é o tema de “Tempo Orgânico Pesquisa” desta semana, publicada no canto superior direito deste blog.

Participe!!!