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domingo, 15 de julho de 2012

Ritmos inspiram mudanças na nossa vida

Uma boa maneira de se repensar os hábitos e de se reinventar é através da observação dos ciclos e ritmos da natureza. E o melhor paralelo que conheço com os ritmos da vida é a música. Como comenta o compositor, arranjador e professor Júlio Costa: “afinal, música pode influenciar um estado de espírito, gerar emoções, inspirar, ser companheira, ser trilha sonora da vida, enfim, refletir sentimentos como os que estão presentes em qualquer situação do nosso cotidiano”. Música é capaz de nos fazer chorar, nos traz saudades, nos enleva, nos põe para dançar, nos faz rir, nos relaxa, nos ajuda a rezar e é a companheira ideal das nossas paixões. Ela acentua cada um desses estados emocionais, não é mesmo?

Música é ainda motivo de encontros e de compartilhamento de emoções com os outros, e até mesmo de celebração conjunta, num show, num concerto ou simplesmente cantarolando entre amigos, com um violão ao fundo. Música está também presente nos sons da natureza, se harmonizando em composições surpreendentes. Música é orgânica e é sustentável.

Quem conhece música é familiarizado com o conceito de “Tempo”. É a notação que o compositor faz na partitura ao compor, para indicar ao intérprete que for executá-la, além da velocidade e pul- sação rítmicas, a atmosfera que ele imaginou para aquela peça.  Este “Tempo” tem seu andamento – do mais lento ao mais rápido – definido por um grupo de palavras colocadas no início da parti- tura: Grave, Largo, Larghetto, Adagio, Adagietto, Andante, Andantino, Allegretto, Allegro, Vivace, Presto, Prestíssimo.

Além da questão da velocidade, há também um outro elemento, mais subjetivo, mas também de grande importância. São as palavras de expressão, utilizadas em pontos específicos da partitura, indicando o espírito ideal para execução daquele trecho: appasionato, assai, brillante, ben marcato, cantabile, comodo, con brio, con fuoco, con spirito, com moto, enérgico, giusto, giocoso, grazioso, ma non troppo, maestoso, risoluto, scherzando, semplice, sostenuto, spirituoso, tranquilo, vivo. Quem nunca ouviu a clássica combinação das palavras: Allegro/ ma no troppo (Alegre, mas não demasiado)?

Quando se presta atenção ao significado das palavras de expressão, é inevitável a analogia dos fortes adjetivos com os estados emocionais que podemos ter em nossos momentos na vida. Os paralelos que podem ser feitos são muitos, e as perguntas abaixo servem para ilustrá-los

– O que queremos expressar na nossa vida (o todo e cada uma de suas partes)?
– Que velocidade – ou velocidades – devemos imprimir ao nosso cotidiano?
– Que sentimentos desejamos para esta “composição” diária, bem como para os inevitáveis improvisos, em muitas das horas?
– Quem, afinal, deve ser o “compositor” da sua vida? Você ou as demandas externas?
– Quem deve fazer as escolhas do andamento que melhor se ajusta aos seus objetivos, necessidades e prazeres?

Que tal passar uma tarde Adagio / scherzando (lenta, desacelerada/brincando)? Será, por certo, uma tarde feliz.

Em suma, o Tempo Orgânico é aquele em que a modulação é essencial. A cadência da vida não pode ser uma só; não é produtivo nem agradável que seja assim. A emoção de viver é tão relevante
quanto a emoção que a música nos desperta. E o melhor disso tudo é que nós somos os grandes autores, arranjadores, regentes e executores desta partitura.

(Texto extraído e adaptado do Livro Tempo Orgânico)

Fonte da ilustração http://quandosobraumtempo.blogspot.com.br/2010/09/decisoes-musicais.html

sábado, 24 de março de 2012

Um segredo do Chico Anysio


Certa vez, entrevistei o Chico. Foi durante a preparação do meu livro "Uma Questão de Tempo". Ele, no auge do sucesso, generosamente abriu sua agenda para uma conversa, em seu apartamento, sem qualquer pressa, já dando provas de que era um Mestre também do seu próprio tempo.

Minha maior curiosidade era entender qual o segredo por trás de sua incrível capacidade de fazer - com aquele brilhantismo - tantas atividades diferentes e dar conta daquele verdadeiro exército de personagens.

É claro que, vindo de um gênio como ele, seu segredo era fácil de entender (apesar de muito difícil de praticar).
- "Muito simples", me explicou. "Faço uma coisa de cada vez. Quando estou pintando, pinto; quando estou escrevendo, escrevo; quando estou compondo, componho; quando roteirizo, roteirizo: quando estou fazendo um personagem, me ocupo exclusivamente dele".

Ou seja, Chico estava sempre presente , de maneira plena- na atividade a que se propunha a fazer a cada momento, 100% focado, sem nunca misturar as coisas. Não ficava mentalmente especulando sobre o que tinha que fazer depois, nem se assombrava com o que vinha do passado.

Bem humorado e irreverente, me presenteou com um par de pequenos - mas poderosíssimos - exemplos, misturando a voz de um personagem com a fala típica de outro.

"Sacou o perigo? arrematou, com um olhar parecido com o da foto aí em cima. 

Foi uma lição que nunca mais esqueci. Ao rememorar esta passagem, ontem, fiquei ainda mais triste com a notícia de sua partida.  Só queria, então, dizer, mais uma vez: 

Obrigado por tudo, Chico!!!!   


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Gostei do Hugo Cabret!!!


Fui ver o filme. É muuuuito bom, gente. É claro que para mim tem um sabor todo especial: os relógios da estação de tem e seus lindos mecanismos prá lá de fotogênicos (que Direção de Arte!).

A mecânica, por sinal, tem uma presença importante na trama. Além do show de relógios, há o fascinante autômato que desenha (e dá pistas). Mas são as emoções dos personagens que vão, aos poucos, fazendo as "peças" se encaixarem, como um relojinho, trazendo das cinzas do esquecimento o maravilhoso universo de Georges Méliès.

Mágico (literalmente), inventivo, divertido, Méliès fazia, na pré-história do cinema, o que ele tem de melhor: a fantasia  e a ímaginação se tornarem "realidade".

O mestre Scorcese nos trás um de seus melhores filmes, incorporando o espírito de Méliès, na maneira fantástica, visualmente atrevida e, sobretudo, sensível de, ao mesmo tempo, contar uma bela história e fazer uma justa homenagem.  

Recomêiindo!!!

sábado, 7 de janeiro de 2012

A incrível capital mundial dos relógios de cuco


Passava das nove da noite quando chegamos a Triberg. As ruas estavam desertas e o ventinho, incômodo. Na porta do hotel onde planejávamos nos hospedar, uma placa dava a má notícia: fechado para férias. Do outro lado da rua, um pequeno hotel tinha luzes em algumas janelas. Lá fomos. No interfone, dissemos a palavra chave, uma das poucas do nosso precário repertório alemão: zimmer! (quarto).

Funcionou. O trinco se abriu e nos permitiu entrar no acolhedor saguão, onde logo, logo, surgiu uma autêntica fraulein, com as bochechas rosadas que lembravam a Marianne do filme Bagdá Café. Simpaticíssima, nos acomodou num amplo apartamento, tendo o cuidado, antes de sair, de fechar as modernas persianas elétricas de metal, que contrastavam com o décor anos 50. No dia seguinte, ao acionarmos a cortina, nossos olhos foram sendo invadidos, lentamente, pela exuberância da Floresta Negra, à medida em que se descortinava a visão através da grande janela. Foi emocionante.

Sim, Triberg fica dentro da Floresta Negra, nas montanhas vizinhas à cidade de Freiburg. Triberg é considerada a capital mundial dos relógios de cuco. Importante atividade econômica da cidade, é também uma das atrações turísticas principais.

Os corpos dos relógios são fabricados em madeira local, numa região da Alemanha em que a floresta é tudo e, portanto, seu manejo é meticulosamente conduzido. Mais do que isso: a região é precursora de ações ambientais importantes. Freiburg, por exemplo, é considerada a cidade mais verde do mundo e tem na energia solar um de seus carros chefes - tanto porque se especializou nessa indústria, como porque é grande usuária desse tipo de energia.

Apesar de serem produzidos em série, os relógios de Triberg são feitos à mão e seus artesão são respeitados e valorizados, geração após geração. As fabricantes são de porte pequeno ou médio e concorrem entre si de maneira profissional e respeitosa.

Todos esses fatores somados resultam numa feliz coincidência. O tempo, sublinhado de maneira quase teatral, de hora em hora, pelos cucos, e os ingredientes da sustentabilidade empresarial caminham de mãos dadas em Triberg.

Tudo somado, a cidade é inspiração e também resposta à pergunta que muitos nos fazemos:

Se o planeta está saturado e as questões sociais só fazem se acentuar, o que as empresas têm a ver com isso, afinal?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

The Present – O relógio anual

Está tudo passando tão rápido que parece impossível fazer um acompanhamento do que está acontecendo em volta da gente.

Às vezes a gente nem consegue curtir as coisas na hora, só se dá conta de como foi legal algo que aconteceu conosco, algumas semanas depois. Ou seja: muitas vezes não conseguimos perceber como a vida é boa no momento em que ela ocorre e sim algum tempo depois - às vezes, meses depois - num momento mais tranqüilo, lembrando do que ocorreu com certa nostalgia de ter deixado aquele instante passar sem curti-lo na sua plenitude.

Como é que podemos viver o momento se este muda com tanta rapidez a cada instante?

Pensando neste aspecto frustrante da aceleração das nossas vidas, o designer norte americano Scott Thriftx criou o “The present”, um relógio analógico que, em vez de 12 horas (ou uma hora ou 1 minuto) para completar o ciclo, seu único ponteiro percorre o círculo em ...1 ano. O mostrador indica a passagem das estações, indo do branco azulado do inverno ao verde da primavera ao amarelo do verão ao vermelho do outono.

O objetivo de Thriftx com seu novo produto é permitir uma maior consciência sobre o agora, deixando de lado as pressões do cotidiano, dentro de uma perspectiva de tempo de prazo mais longo.

É o uso de uma nova escala pra se olhar o tempo, já que os dias, as semanas e até os meses passam tão rápido.

Thriftx diz que The Present é inspirado por – e um perfeito presente para músicos, escritores, pensadores, amantes, grávidas, gente de bem com vida, artistas, filósofos, construtores, estrategistas, professores, visionários, lideres que pensam a longo prazo, hemisférios cerebrais direitos - e esquerdos que queiram mudar- ou qualquer pessoa que simplesmente queira ser o dono do seu “hoje”.

Para saber mais detalhes do projeto (e como adquirir o The Present) clique aqui.



quarta-feira, 27 de julho de 2011

A sustentável leveza da arte de Domingos Tórtora



















Domingos Tórtora é mineiro, trabalha em Minas, mas sua obra é universal. Não apenas pela sua linguagem como designer e artista plástico mas, principalmente, por se inserir num perfeito ciclo de desenvolvimento sustentável. A matéria prima de seu trabalho é apenas uma: cartolina de embalagens usadas, ou seja, material para reciclagem. Com isso, ajuda a manter as árvores como devem estar: de pé
Em um processo certificado, o papelão a ser reciclado é dividido em pequenos pedaços e se transforma em uma polpa que serve como matéria prima básica para a fabricação de móveis, objetos e peças escultóricas. As peças são moldadas à mão, secadas ao sol e recebem uma acabamento bastante refinado. Neste processo belo e trabalhoso, que respeita o "timing" e os ritmos da natureza, o papelão que se originou da madeira, essencialmente, é trazido de volta a um ciclo completo, e assume uma qualidade de madeira, como novo.

CLIQUE AQUI para conferir este "milagre" de transformação e as belíssimas obras de design que dele resultam.