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domingo, 12 de abril de 2015

É hora de compartilharmos tempo!


Dentro de uma perspectiva apenas linear do tempo, é comum a representação gráfica em formato de pizza, ao analisarmos a distribuição do nosso tempo ao logo de um dia, uma semana ou qualquer outro período.  Acho que o exemplo abaixo ilustra bem este formato.

Mas será que num mundo cada vez mais interdependente, esta representação continua sendo suficiente?

Todos nós temos diferentes papéis na vida. Somos chefes, subordinados, profissionais, pais, filhos, esposos, namorados, fiéis, torcedores, vizinhos, colegas, afiliados, etc. Nós não somos divisíveis e estes papéis se entrelaçam, acontecem simultaneamente e nos demandam tempo.

A interdependência cresce no contato que mantemos com os outros, em cada um desses nossos papéis. “Para a maioria de nós, a maior parte do tempo é usado na comunicação ou interação com outras pessoas” e o número dessas interações só faz aumentar.

Quanto mais oportunidades de contato, reais e virtuais, no trabalho, em casa, e nos círculos de amizades, mais nos defrontamos com a diversidade de ideias, de experiências de vida, de etnias, de origens geográficas, de classes sociais. É um mosaico que torna tudo mais complexo. Não podemos desconsiderar a importância do outro, em nossas vidas.

Como seria então uma distribuição orgânica do nosso tempo interdependente, uma nova versão da “pizza do tempo ” acima?  Uma “pizza” que deixa de lado o egoísmo e nos motiva a conjugar melhor o verbo compartilhar, como resumido na figura abaixo:


Tempo de compartilhar força criativa e energia

É uma nova maneira de se encarar nossas atividades produtivas, nosso trabalho, com foco na inovação, no coletivo, na integração, na confiança mútua.

Tempo de compartilhar emoções

É a hora do amor, do prazer, do lúdico, da troca, da música, do afeto, da alegria, dos relacionamentos de verdade. É o contato com a família, amigos, diversão, auto expressão, redes sociais. É a volta à infância, ainda que por poucos instantes.

Tempo de compartilhar conhecimentos e valores

Se a característica mais importante do profissional – e eu me atreveria a dizer, dos seres humanos - nestes novos tempos, é sua capacidade de aprender, o tempo dedicado a compartilhar conhecimentos se reveste de particular importância.

Tempo de se cuidar

Aqui, a lista é ampla. Inclui os cuidados com o corpo e com a saúde, que não deixam de ser um pré-requisito para um bom desempenho em todas as demais facetas do nosso cotidiano; os cuidados com o nosso bem estar- o que comemos, o nosso conforto, as indulgências que proporcionamos a nós mesmos para nos sentirmos melhor); os cuidados com a mente/espírito – a conexão com o sagrado, a reflexão, a meditação, a transcendência. Muitas dessas atividades podem ser feitas compartilhando experiências com outras pessoas. Por que não?

Sendo uma perspectiva orgânica, estes tempos se interpenetram constantemente, nos conduzindo a um olhar diverso do habitual, em que a premissa é que estamos todos de fato interconectados, como nos ensina a física moderna. Não se trata de uma negação da nossa individualidade mas, sim, um olhar novo, mais generoso, que pode ser estimulante e criativo, nesta nova realidade de um mundo interconectado e interdependente.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Depoimento de uma leitora em pleno Sabático



Recebi hoje este gratificante depoimento de uma leitora do livro Tempo Orgânico. Nele, a gente constata a importância de uma Pausa nas nossas vidas, para refletir e para melhor desenhar o futuro. A Cecília se deu de presente um tempo sabático e está encontrando o seu caminho, com ajuda de diferentes olhares sobre ela mesma, sobre os outros, sobre tudo que a cerca e, principalmente, canalizando tudo isso para suas próprias descobertas e revelações. Fico MUITO feliz em estar fazendo parte deste processo.    

Caríssimo Alvaro,

Estou para te escrever há algum tempo, mas...o tempo de sentar e compartilhar só chegou agora.

Venho de uma trajetória intensa, de desafios, conquistas, oportunidades, generosidade... e muitos aprendizados. E foi esse "caldo de cultura" que me levou a um tempo sabático, de reflexão, apropriação e desenho de uma próxima trajetória.

Foi prazeroso, instigante e divertido passar pelas páginas do livro. Váááários trechos poderiam ter sido escritos POR mim, e em muuuuitos outros tive a sensação de que foram escritos PARA mim.

Agradeço tanto a você, o autor, quanto ao Paulo, o emissário, por me trazerem essas reflexões e indicações.

Não tenho dúvida de que é possível e....tudo leva a crer que o melhor caminho começa por mim.

Com carinho e gratidão,

Cecília

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O QUE VOCÊ TEM A AGRADECER?


Eu costumo encerrar minhas práticas diárias de meditação com uma sequencia de 4 pequenas reflexões, conduzidas pelas expressões: EU AGRADEÇO / EU PERDOO / EU AMO / EU CONFIO.
Portanto, acho muito legal este Dia de Ação de Graças, o Thanksgiving Day, celebrado nos Estados UNidos e no Canadá, de gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano.
O Facebook divulgou um estudo interessante, feito na sua base de informações, nos primeiros dias desta semana, nos Estados Unidos. Foram coletados para análise, de forma anônima (afirmam eles), os conteúdos das postagens que incluíam as palavras Grateful ou Thankful. Estes dados foram professados por um algoritmo de texto que identificava a que as pessoas se sentem gratas. O resultado, estado por estado, mostra pontos muito curiosos. Na Califórnia e Virgínia aparece o youtube (é isso mesmo, gente?). O pessoal do Oregon gosta de... ioga. Na Lousiana e Hawaii, o grande barato são os arco-iris. No Alaska, o riso das crianças. Beleza! Clique no mapa aí abaixo para fazer suas decobertas.
A matéria complete está em https://www.facebook.com/notes/facebook-data-science/what-are-we-most-thankful-for/10152679841318859

terça-feira, 29 de abril de 2014

Segunda chance: sobrevivi a um choque de 6.000 volts


Isso faz tempo. Décadas. Mas era um 29 de abril. Eu ainda era solteiro e morava com meus pais. Acabaramos de nos mudar para um novo apartamento, que tinha uma enorme janela na sala: 12 metros.

Sábado de manhã, chega o cara que vinha instalar os trilhos da cortina: cada seção media seis metros e não passava pela escada. Tinha que ser por fora do prédio e era preciso algúem ajudar. Ofereço-me como voluntário, parecia simples. Ficavamos no segundo andar e bastava puxar o trilho para dentro, quando o carinha me alcançasse ele lá de baixo.

De repente, o inesperado. Ao puxar o trilho, de alumínio, longo e bem mais leve do que eu imaginava, sua extremidade se eleva com rapidez e toca o fio de alta tensão, que ficava mais ou menos na altura da janela, uns cinco metros afastado. Encostado na esquadria de alumínio da janela, meu corpo fechava o circuito como uma "luva".

Ouvi o forte estrondo e senti meu corpo ser ejetado para trás.

A sensação seguinte foi a mesma que muita gente já relatou. À medida em que fui apagando em camera lenta (apesar disso ter levado fração de segundo), imagens da minha vida foram passando, flash back como uma edição de video clipe. Enquanto isso, pensava:

- "Que merda! Morrer aos vinte e três anos por causa de uma babaquice dessas. Que morte mais triste, gente".

Logo em seguida, a consciencia começa a voltar. Aos poucos, me dou conta que meu corpo estava totalmente retorcido: posição fetal, todos os músculos crispados.

- "Graças a Deus!!! Não estou morto. Vou ficar aleijado assim, mas vou conseguir viver, penso com moderado otimismo".

Nisso, ouço os gritos de "mexa-se", "movimente os braços", "abra e feche as mãos", "tente se esticar" e obediente, aos pouco vou percebendo que tudo volta a uma certa normalidade. Depois, fiquei sabendo que era um bendito vizinho do prédio em frente, médico, que assistira a tudo. Uma sorte!!!

Outra sorte: o trilho tocou a fiação vindo de baixo para cima e o circuito se interrompeu, assim que fui atingido. Na rede elétrica, havia uma plaquinha que vi mais tarde: "Cuidado - 6000 volts".

Constato então a enorme queimadura nas mãos e na parte lateral superior da perna (na altura da esquadria onde me apoiara na hora do acidente) e vejo minha mãe também caida no chão, metros adiante. Ela também se encostara na janela e apesar de forma bem mais leve, também fora atingida pela energia.

Bem: a ambulância chegou, eu e Jacy fomos medicados em casa, mesmo, tomei sob protestos uma injeção de calmante. Horas depois, a calma me abandonou. A lembrança daquela sensação de "morrer" (o tal flash back) se instalou, me fazendo chorar. Passei o resto de sábado e todo domingo naquele estado. Na segunda meu pai aplicou uma terapia ocupacional:

- É melhor você mesmo ir tratar dessa história na Light (o transformador do prédio queimara e estavamos sem luz).

Isto aconteceu num dia 29 de abril, que considero portanto um segundo aniversário (sou de 13 de fevereiro).

Hoje, sei que aquele foi mesmo uma espécie de "Reset" na minha vida. Ou um alerta, se preferirem. Me fez refletir sobre as coisas, rever conceitos, fazer balanços. Paradoxalmente, o fato me fortaleceu, apesar de me ter colocado frente a frente com minha fragilidade e minha finitude.

Meses depois, deixo uma promissora carreira na Marinha, após dez anos por lá, surprendendo até a mim mesmo. E parto para novas "aventuras", das quais definitivamente, não me arrependo.



















domingo, 13 de abril de 2014

MOMENTOS GOIABADA CASCÃO


Quando eu era menino, tanti anni fa, tinha uns tios que moravam em Campos.  Quando eles vinham ao Rio, nos traziam um presente sempre muito desejado: uma lata da famosa goiabada cascão produzida lá. Nas ausências mais prolongadas, mandavam a goiabada pelos Correios. Na época, era praticamente impossível achar aquela iguaria no comércio do Rio.

Aí, era sempre uma festa, lá em casa. Quase um ritual, na pequena família, inicialmente eu e meus pais e, mais tarde, tambem meu irmão Ricardo: abrir a lata, cortar pequenos pedaços e nos deliciarmos com aquele sabor, consistência e textura inigualáveis são detalhes que nunca mais esqueci.

Às vezes, cabia-me a "honra" de usar a faca, tentando que todas as fatias fossem rigosamente do mesmo tamanho. Sintia-me importantíssimo com aquele privilégio.

Mais do que degustações, em que eventualmente um queijo Minas ou um Catupiry também marcavam presença, era um momento afetivo muito especial.  É claro que o ritual incluia conversas sobre tia Laurita, irmã de meu pai, seu marido Clementino e os primos Marco e Anita, de Campos, que nos proporcionavam aquele prazer; além de relatos de "causos", quase sempre divertidos, sobre os parentes em geral. 

Era comum servirmos a goiabada tão apreciada a alguma visita de parente ou amigo. Pra mim, foi um um "duro" aprendizado, o de saber compartilhar as boas coisas com os outros. Nas primeiras vezes, confesso que ficava com o olho comprido, tentando calcular se sobraria algum pedaço para outra rodada, no dia seguinte.    

Simples prazeres, hábitos saudáveis de convívio familiar e amizade: boas reminicências. Momentos "Goiabada Cascão" que as nossas vidas agitadas e tecnológicas às vezes tornam difíceis de reproduzir com toda a sua intensidade "analógica", sincrônica e presencial.

 


   

domingo, 9 de fevereiro de 2014

TODO DIA ELA (ELE) FAZ SEMPRE SEMPRE IGUAL


Assim Chico Buarque começa seu genial - mas melancólico- “Cotidiano”. Muito provavelmente você não concordaria se alguém descrevesse seu dia a dia, como o da personagem da música, independente de você ser “ela” ou ser “ele”. Ninguém gosta de ser repetitivo, redundante, até meio chato.

O nome deste “fazer sempre igual” é “hábito” e nós somos uma formidável máquina de gerá-los. Uma pesquisa da Duke University descobriu que mais de 40% das ações que as pessoas realizam todos os dias não são decisões de fato, mas sim hábitos. E eles surgem, dizem os cientistas, porque o cérebro está o tempo todo procurando maneiras de poupar esforço. Se deixado por conta própria, o cérebro tentará transformar quase qualquer rotina num hábito, pois os hábitos permitem que nossas mentes desacelerem com mais frequência.

Os hábitos têm um importante papel. Criam estrutura e referências para nossas vidas. Precisamos destas repetições para nos sentirmos mais seguros. Faz parte da chamada zona de conforto, pois cada um deles nos traz alguma recompensa: física, mental ou emocional .

O problema surge quando estes nossos queridos hábitos se avolumam e esta zona de conforto nos imobiliza e começa a atrapalhar as nossas vidas. Aliás, numa civilização que nos convida à mudança diariamente, sem qualquer cerimonia, ficarmos reféns de nossos hábitos pode ter um preço nada agradável.

Quando se fala do tempo, então, este tema se torna muito crítico, já que todos nós estamos sempre frustrados com o tempo que temos, sempre querendo mais algum. Mas nem nos lembramos de hábitos do tipo “empurrar com a barriga até virar uma crise que leva muito mais tempo para ser resolvida”. Ou de deixarmos que as interrupções impeçam que tenhamos blocos de tempo contínuos para a realização de tarefas mais complexas (e que quando retomamos a tarefa sempre temos de dar um “rewind”, perdendo etapas que já tinham sido cumpridas).

No seu ótimo livro “O poder do hábito” Charles Duhigg vai fundo no assunto e nos demonstra que, por se formarem numa área muito específica do cérebro, os hábitos não podem ser simplesmente eliminados. Se desejamos, de fato, uma mudança, precisamos conhecer muito bem o hábito a ser “atacado” e deliberadamente desenvolvermos um outro hábito – que nos traga recompensa equivalente, e que possa se superpor ao anterior.

Dá um trabalhinho mas garanto que ninguém vai cantar essa música do Chico pra você.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Surpreenda-se!!! (e faça as melhores escolhas em 2014)


Este ano que acabou? Cheio de surpresas, não é mesmo? Como a maioria dos anos, aliás.

Surpresas públicas, como o que aconteceu em junho, nas ruas; e com o que não aconteceu depois de junho. Surpresas pessoais, como a triste perda de amigos de muitos anos; e como é gostoso fazer novas amizades e descobrir sintonia com pessoas muitos anos mais novas do que a gente.

Surpresas ora com a tecnologia avançando, avassaladora, desafiando nossa capacidade de se surpreender; ora com a beleza de obras de arte “analógicas” ou simples objetos simples, feitos à mão em toda parte. Surpresas com um mundo deteriorando sem que isso nos faça rever a maioria dos nossos hábitos (Ah! Como é difícil mudá-los, meu Deus!!!!)

Surpresas com pessoas que se transformam: ora médicos em monstros, ora demônios em anjos. Surpresas com nosso próprio preconceito: ora descobrindo um argentino (!!!) apaixonante a cada gesto e palavra (tendo a oportunidade de conhecê-lo mais de perto, nem que seja através do vidro do papa-móvel); ora tendo enorme dificuldade de enxergar o “outro”, igual a nós, pelo simples fato de vestir (e amar "irracionalmente") uma camisa de cor diferente.

Surpresas crônicas, com nossas dificuldades de agradecer, de perdoar, de amar incondicionalmente, de confiar.

Mas acima de tudo surpresas cheias de esperança com as nossas crianças, nossos filhos e netos, vendo como eles são capazes de nos renovar e trazer renovação, reinvenção e novos olhares, como que “possuídos” por seus DNAs aperfeiçoados pela evolução deste espécie chamada humana. Com todas as surpresas, boas ou não, é como humanos que escolheremos sermos felizes!! Ou não.

Só posso, então, desejar a você as melhores escolhas para encarar as surpresonas e as surpresinhas que 2014 estará trazendo.

sábado, 22 de junho de 2013

QUEM APERTOU O BOTÃO DE RESET?


Tempos atrás, encontrei esta imagem ilustrando uma matéria que tinha como título: “Deus apertou o botão de Reset?” Era a queixa de um perplexo executivo de marketing diante de uma combinação de fatores explosiva para ele: os efeitos da crise no mercado financeiro e a dificuldade de “atingir”, com suas  mensagens publicitárias, um publico cada vez mais “entretido com as redes sociais. O "Reset", ali, tinha portanto uma abrangência bem canhestra e se restringia a comentar, principalmente, que tinha dado a louca nos “mercados” o que, todos nós sabemos, nunca teve nada da mão divina.

Recentemente, a palavra Reset retornou muito forte para mim, trazida pela minha filha Renata, como uma “explicação” para as mudanças profundas que temos visto acontecer nos comportamentos das pessoas, como indivíduos, como consumidores, como membros da sociedade. E isto me trouxe também de volta - e complementou - uma outra imagem, que às vezes me vem em mente, meio de brincadeira, meio sério, de que estão todos virando mutantes e que se queremos entender as pessoas, precisamos descobrir o X-Man que se instalou em cada um, antes dele - ou dela - dar um Reset em si próprio.

Tenho inclusive começado a introduzir, nos meus Workshops e palestras sobre o uso do tempo, o conceito do Reset como uma “atitude” indispensável para quem deseja – e necessita- fazer mudanças para melhorar qualidade de vida sem abrir mão da produtividade e realização pessoal – ou vice versa. É uma boa síntese para os conceitos que foram apresentados no meu livro Tempo Orgânico,  em que a necessidade de se reinventar era a grande tônica.  Por isso mesmo, recentemente, decidi rebatizar os meus Workshops de “Reset – Como reinventar o uso do seu tempo”.

Nestes últimos dias, com a avassaladora presença das pessoas nas ruas de todo o Brasil, a palavra Reset volta com ainda mais força ao meu pensamento. Rosiska Darcy de Oliveira, no seu belo texto de hoje, nos jornais (" O legado das ruas"), nos lembra que " há muito tempo jovens lotavam as avenidas virtuais por onde passam as redes sociais, protestando contra a humilhação a que estávamos submetidos". Mas permanece a pergunta para a qual dificilmente encontraremos uma resposta simples: quem foi mesmo que apertou este botão de Reset que talvez mude – para melhor- a história deste país?


sábado, 18 de maio de 2013

OS SURFISTAS SEGUNDO HARVARD


Uma das primeiras postagens deste blog aqui, ainda na fase "experimental", chamava-se "Os surfistas carecas". Nela, falava dos surfistas que hoje são também profissionais e executivos e que, mesmo sem tanto cabelo (ou com estes "prateando") continuam a praticar o esporte com o mesmo espírito de sempre: respeitam e cuidam do mar e das praias, sabendo que neles está a fonte do seu prazer e da sua diversão; sabem lidar com os ritmos da natureza - as ondas e as marés - e delas tomar partido para seu "desempenho; e reconhecem a importância de uma pausa para recarregar as "baterias" de vez em quando.

Ontem, li, no blog da Harvard Business Review, um interessante artigo de Peter Bregman, intitulado "O Inesperado Antídoto para a Procrastinação" (The Unexpected Antidote to Procrastination). No texto, o autor nos revela diversos insights que lhe ocorreram vendo surfistas pegando onda numa praia na Califórnia. O ponto de partida foi a constatação de que praticamente TODAS as manobras desses esportistas, acabam com eles...caindo no mar. Seja um exímio e experiente praticante, seja apenas um iniciante; seja um 360o, um Aerial ou um Tubo perfeitos, seja uma desatrada queda, não importa.

- "Em todos os casos, o surfista acaba dentro dágua. A única diferença é isto ser ou não uma surpresa para ele (ou ela)" comenta Bregman, convidando a todos nós a nos comportarmos com o mesmo espírito, assumindo riscos sem receios de falhar. Como no surf, "cair" faz parte da vida e que importa é aprendermos com esse mergulho e partirmos para a próxima onda com mais vontade e determinação.

Bregman convida então a leitor a parar com esta tão comum tendência que temos à procrastinação, muitas vezes apenas com o receio das consequências:

- "Aquela conversa difícil com seu chefe (ou colega, ou parceiro, ou esposa/marido) que você tem evitado faz tempo? Tenha hoje"!

- "Aquela proposta (ou artigo, ou email) que você tem deixado de lado? Comece agora"?

- "Aquele novo negócio (ou novo produto, ou novo investimento, ou nova estratégia) que você vem analizando e analizando e analizando sem parar? Dê partida nele".

E quando você "cair" (sofrer com as dificuldades e barreiras) - porque isto é inerente a assumir riscos - suba de novo na prancha e reme de volta para as ondas. É o que qualquer surfista- careca ou não - faz com toda a naturalidade e confiança.


Veja o artigo em:

http://blogs.hbr.org/bregman/2013/05/the-unexpected-antidote-to-pro.html

quarta-feira, 20 de março de 2013

As oportunidades de tempo dos novos empreendedores


Está semana está sendo realizado, no Rio de Janeiro, o Congresso Global de Empreendedorismo, promovido pela Endeavor, organização que apoia empreendedores “de alto impacto”, mundo afora. Os números do evento impressionam. Mais de 1200 participantes, de 140 países estão presentes, atendendo a uma agenda diversificada e com lideranças expressivas contanto suas histórias e compartilhando sua experiências .

E muita gente de fora se mostra curiosa por entender o bom momento do empreendedorismo no Brasil, mesmo com as conhecidas barreiras burocráticas e fiscais que tem que enfrentar. Na verdade, o crescimento do setor tem sido fruto de um trabalho que integra a sociedade civil, os governos e a própria iniciativa privada. E têm tido bonitos "cases" para apresentar.

Dois depoimentos que me chamaram a atenção, ontem. Um de Octavio de Barros, Economista-Chefe do Bradesco, ao comentar as oportunidades que estão sendo geradas para novos empreendededores pela conjuntura atual. Segundo ele, com os salários em alta (e sem possibilidade de repassa-los) e com sérios gargalos na infraestrutura, a indústria é o setor da economia que tem tido sua competitividade mais afetada. Aí, a grande busca é por produtividade (fazer mais por unidade de tempo), para enfrentar produtos de outros países (aqui e lá). É claro que há a componente “tecnologia” a ser considerada – e muito. Mas Olavo destaca as oportunidades também nos processos que precisam ser continuamente revistos e numa nova perspectiva de se usar o tempo de indivíduos e de grupos, para que sejam obtidos os ganhos de eficácia de se tanto precisamos.

Os novos empreendedores tendem a ser mais rápidos nas suas decisões e por isso mesmo costumam também mais velozmente se ajustarem às mudanças dos ambientes onde atuam. Faz parte do seu DNA. Quem sabe têm algo a ensinar às grandes corporações industriais?

Outro depoimento interessante foi de Fabio Barbosa, CEO da Editora Abril. Sua lição aos jovens empreendedores foi sobre valores. De que não adianta a pressa de se se queimar etapas, se as decisões não estão fundamentadas em crenças pessoais coerentes e sólidas. Não adianta fazer coisas “discutíveis” sob o ponto de vista ético simplesmente “porque os outros fazem”. Lembrou ele , com propriedade, que cada decisão, tomada hoje, por um novo empreendedor, será julgada no futuro, certamente com o maior rigor que o futuro, desde agora, começa a nos sinalizar. É preciso, além de fazer mais por unidade de tempo, fazer melhor, por unidade de tempo.

Enfim, duas perspectivas de temporalidade que se complementam. Para os leitores deste blog, são visões que o conceito de Tempo Orgânico integra e valoriza. Certamente por isso eu tenha saído do evento, no início da noite, com uma gostosa sensação de leveza.

Clique aqui para mais detalhes sobre o Congresso

sábado, 9 de fevereiro de 2013

É Carnaval: o túnel do tempo!!!

O Carnaval é uma espécie de túnel do tempo. Ele possibilita que "representantes" de épocas completamente distintas se encontrem, se reúnam, dancem, cantem e bebam juntos e até se amem. A maioria vem do passado, como gregos, fadas, piratas, princesas, gladiadores, ciganas, vampiros, egípcios, anjos, índios ou presidiários. Um ou outro chega mais de mais perto, dos anos 60 ou 70, hippies retrôs, Marilyns, Rauls (ou Elvis). Alguns vêm do futuro, super-heróis ou personagens de filmes.

Na maioria dos casos, nem sempre fica claro de onde o ou a “viajante” está chegando, com poucos elementos que o identifiquem. Um par de chifrinhos, ou uma coroa na cabeça, por exemplo, não deixam claro de que época vem o candidato ou candidata a diabrices ou reinações. Um chapéu de malandro ou uma tuta de bailarina traz o mesmo problema.

E os profissionais? Bombeiros, policiais, médicos e enfermeiras, devidamente estilizados, não costuma ser reveladores de que tempo chegaram. Os animais, muito menos: gatinhas, borboletas, joaninhas, ursos, cães e tantos outros bichos raramente declaram de que ano escaparam.

Muitos estão e ficam mesmo no presente, cronistas do que anda se passando pela cidade, pelo país, pelo mundo afora.

O bom no Carnaval, este carnaval de rua que não para de crescer, é que, em geral, não há pressa, independente das origens de quem entra nesta "máquina do tempo". Vai todo mundo seguindo (ou parando), mais ou menos no mesmo ritmo, tentando sincronizar gestos e passos. A pressa às vezes costuma chegar quando de trata de sincronizar outras coisas, como beijos, abraços e assim por diante. Aí tudo se acelera, movida pela adrenalina dos combustíveis, quando estes se acumulam, muitas vezes acima do que seria razoável.

Mas é Carnaval. Este túnel do tempo em que nem sempre as coisas se explicam e quase nunca se precisa justificar. Coisa boa!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

QUEIXAS (Ricardo Mendes)



“Vida é aquilo que acontece a você enquanto está ocupado fazendo outros planos” (John Lennon)

Reflito por instantes antes de fazer a pergunta em voz alta. “O que é preciso para que uma ação tenha início?” Se recorresse à Física Mecânica, diria que a ação se inicia quando a força da inércia cede à força do movimento. Fico pensando em minha própria resposta. Como seria o mundo se a força da inércia vencesse o cabo de guerra com a força do movimento?

Não preciso ir muito mais longe, já é possível concluir: a vida é o próprio movimento. E como todo movimento, acontece numa direção e num sentido. No caso da vida não é diferente. Ela se move para frente. E nós, para onde nos movemos? Lembro da história do índio que depois de sua primeira viagem de trem permaneceu sentado nos trilhos por mais algum tempo esperando a sua alma chegar. Porque será que o índio simplesmente não seguiu os demais passageiros? Que necessidade tinha ele de unir o corpo e a alma antes de ir adiante?

Este texto também se move para frente, embora vez por outra eu passe os olhos em seu início para me assegurar que não perdi o rumo. Da mesma maneira, antes de tomarmos decisões importantes em nossas vidas, olhamos para o percurso que fizemos, para o que nos ajudou, para o que deu certo, para o que nos surpreendeu, antes de definir o caminho. Mas este olhar panorâmico para trás não tem por objetivo reformular nada. Trata-se, antes de tudo, de rememorar.

Quando estou aqui, agora, do jeito que sou, não tenho outra possibilidade, a não ser, ser quem sou. Neste momento não posso ser outro ou de outro modo. Neste exato momento, sou absolutamente o resultado de tudo aquilo que veio antes, do jeito que foi. Se permanecer em movimento, no futuro serei outro. Isso é o que sei, nada mais. Mas se não estou satisfeito com quem sou hoje, significa que não estou de acordo com o que veio antes. Neste caso, olho para trás com um olhar crítico e reparador. E quanto mais intenso é o olhar crítico e reparador, mais os meus olhos se fixam no que passou e se ausentam do presente. Acontece que quando me distancio do presente, o verdadeiro lugar da ação, me eximo também de influir no futuro, ou seja, em última análise, o resultado do olhar inconformado para o passado é a sua própria perpetuação.

Em nossas vidas, damos o nome de queixas a este tipo de olhar. As queixas, subtraem a nossa presença e retardam a ação. Evitam que tomemos responsabilidade sobre os nossos atos e, sobretudo, sobre as conseqüências deles. Se me recuso a agir, poupo-me das conseqüências das minhas ações, estou sempre em busca de um responsável que me ajude a permanecer na inércia. O culpado é o maior aliado de quem não deseja agir e arriscar-se.

O olhar crítico carece de humildade e distanciamento. Somos, neste planeta, bilhões de críticos em potencial, todos com o mesmo direito de perceber o mundo a partir da sua própria ótica, não há como existir um mundo unânime que satisfaça a todos. A diversidade é, mais uma vez, a constatação da infinita criatividade da Grande Alma. A humildade, neste aspecto, é reconhecer a grandeza daquilo que nos enreda e continuar caminhando. É abdicar da lógica a partir do próprio umbigo e confiar que há de existir uma outra muito mais complexa. É entregar-se à vida como ela lhe é entregue a cada manhã.

Quando abrimos mãos das queixas podemos seguir a vida em tempo real, por inteiro e, de fato, não temos nada a perder. Concordemos ou não, a verdade é que ela seguirá seu fluxo irresistível. Estejamos nela ou não.

Quando escolhemos nos queixar do passado, os pais tornam-se os grandes responsáveis por todas as falhas. Eles são a matriz, a fonte, a única possibilidade de encarnação de algo tão impalpável quanto o passado. Melhor, eles reagem aos nossos pleitos, importam-se, interagem, diferentemente do passado que apenas nos observa impávido. A verdade é que, graças à idéia de que os pais são imperfeitos, ganhamos tempo antes de saber se queremos de fato nos arriscar a viver e assumir responsabilidades. Enquanto isso, escondemo-nos sob a sombra de sua grandeza.

Este texto foi publicado originalmente no blog IRALEM (http://www.iralem.com)

O autor, Ricardo Mendes é economista e pós-graduado em Marketing pela PUC RJ, tendo atuado por muitos anos como consultor e dirigente de sua empresa de comunicação. 
É um experiente Arteterapeuta e Constelador Familiar. É também ator (CAL), escritor e fotógrafo e autor dos livros "Tatuagem" (1987), "Santiago de Compostela, os 8 Portais do Caminho"(2002) e "Andando em Círculos, as Pedras Milenares e o Caminho da Tríplice Espiral"(2004).

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Promessas de Ano Novo. De novo?


De repente, a gente se dá conta de que o ano está terminando. É o momento em que muitos se lembram de fazer planos e promessas. Bem, nem todo mundo. Há os que seguem o "velho" conselho do Zeca Pagodinho, de "deixar a vida me levar". É uma!!

Mas acho que a maioria, ainda que acabe deixando a vida lhe levar, arrastado pelas pressões do dia-a-dia, faz algum tipo de "balanço anual". Mesmo que este dure poucos segundos durante a contagem regressiva da virada do ano:

- "Ai meu Deus do Céu, este ano bem que poderia nem ter existido!!!!"

Alguns são bastante genéricos, na hora de pensar no que vem pela frente: um novo amor, muito dinheiro, emagrecer, finalmente passar em um concurso público, mais saúde, outro emprego, fazer exercícios, etc.

Outros, capricham nos detalhes: preenchem folhas e mais folhas, especificando mês a mês, semana a semana, o que precisará fazer de concreto no futuro imediato.

Qual o certo? Qual funciona melhor? Lamento, mas nessa hora, não há fórmulas mágicas, nem regras rígidas. Isto tem muito a ver com a personalidade e o estilo de cada um.

Mas aí vão alguns pontos que eventualmente podem ajudar:
- É sempre útil avaliar o passado realisticamente e aprender com erros e acertos. Isto nos faz melhorar e amadurecer.
- O que nos fez mais feliz no ano que passou? Como replicar e ampliar estes momentos?
- Seja sincero com os "velhos" desejos não realizados. O que falta para colocá-los em prática? Continuam fazendo sentido, neste momento?
- Não tenha mais do que uma meia dúzia de metas. É o que provavelmente vai dar para administrar em meio às mudanças e coisas inesperadas que vão aparecer ao longo do caminho.
- É sempre bom registrar estas metas em algum lugar, para "gerencia-las" melhor.

Fazer planos é uma atitude saudável. Certamente melhor do que "entrar em campo", novamente, sem direção, onde o risco é você usar seu tempo a serviço dos planos dos outros. Não se preocupe se vai conseguir atingir todas as metas ou não. O importante é ter uma direção, um guia que ajude neste mundinho cada vez mais cheio de surpresas.

Feliz Ano Novo!


Foto: http://www.melhorpapeldeparede.com/images/ano_novo-4908.htm


         

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Tempo de Natal, um bom presente

Para alguns, é tempo de acelerar. O ano está acabando, há metas há cumprir na empresa; há ainda uma extensa lista de presentes para comprar em shoppings que vão ficando intransitáveis; há dúvidas sobre o réveillon, com quem vai passar, onde vai ser; há um monte de coisas pendentes a se resolver com urgência, para as viagens de férias que se aproximam. 

Para outros, é tempo de adesão ao movimento slow food: as divertidas (e sem pressa) comemorações com os amigos de várias tribos (como se multiplicam!); as festas natalinas em família ou entre amigos, na véspera e o dia seguinte, em torno de uma mesa que se espera diferente do restante do ano, ainda que quase igual à dos anos passados; mesmo quando somos obrigados a nos dividir, pelas natural evolução das famílias, cada encontros tende a ser prolongados e curtido, dentro das possibilidades de cada um.

Para outros, ainda, é tempo de mobilização para fazer o bem, dar atenção e carinho a quem necessita; de entender o que falta e onde falta e compartilhar isto com mais gente, para que a solidariedade se expanda e se torne concreta e ainda mais justa.

Para uns, enfim, é tempo de ficar ocupado, seja com seus próprios afazeres, seja com os afazeres dos outros; para muitos, é tempo de fazer menos, dar uma pausa, refletir, desacelerar.

Para todos, este tempo é oportunidade para um encontro consigo mesmo, a chance para balanço, sempre bem vindo, sobre o sentido de tudo que estamos vivendo e aonde queremos chegar. Estas últimas duas semanas do ano são, tudo somado, um bom momento para nos presentearmos com algo muito especial: pensar sobre nosso Tempo.

Foto: http://www.dreamstime.com  Ref: 11041382

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

DIREITO AO DELÍRIO (Eduardo Galeano)



Neste vídeo "histórico", o escritor uruguaio Eduardo Galeno nos brinda com este DIREITO AO DELÍRIO, a partir da definição do que é e pra que serve a UTOPIA, do cineasta argentino Fernando Berri.

CLIQUE AQUI  para assistir ao vídeo (http://www.youtube.com/embed/rpgfaijyMgg)

Foto: El Clarin

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Compartilhar vivências é uma ótima forma de se usar o tempo

“...Tudo o que é compreendido, circula; sai de mim e existe entre nós. Faz parte de círculos e fluxos de pessoas. Toda a verdade
que é só minha não é de ninguém, nem mesmo minha. Todo o saber é partilha e todo o imaginário de ideias e de pequenos ou grandes ideais de vida vale não apenas pelo conteúdo, mas pela quantidade de vozes que foram aos poucos construindo.”  (CARLOS RODRIGUES BRANDÃO)

Esta reflexão foi retirada do mais recente "Caderno Arte de Educar", que está sendo lançado esta semana. Ele apresenta "UMA EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA NA CONSTRUÇÃO DE TERRITÓRIOS DE APRENDIZAGEM", onde , mais uma vez a organização nos mostras como os processos de aprendizagem se enriquecem quando alunos e professores, comunidade e atores da sociedade, educação e cultura se dão as mãos.

Saiba mais sobre a Casa da Arte de Educar em  www.artedeeducar.org.br
Compartilhar conhecimento e experiências é uma maravilhosa e produtiva maneira de se usar o tempo. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Papalagui não tem tempo - observações de um nativo de Samoa sobre os "sem tempo"


Esse é o título de um dos capítulos do livro “O Papalagui”, publicado em 1920, pelo escritor alemão Erich Scheurmann. O autor vivera em Samoa durante a primeira guerra mundial e, segundo conta na introdução do livro, havia conquistado a confiança de Tuiávii – um chefe nativo local. Este lhe confiara os apontamentos que havia feito durante uma visita aos países da Europa, no fim do século anterior, e concordou com sua divulgação.

Papalagui é como Tuiávii denomina o homem branco europeu e nas suas observações, ora divertidas, ora severas – mas invariavelmente justas – fica claro o choque de duas culturas tão diversas. O olhar de Tuiavii é, ao mesmo tempo inocente e crítico. Vai fundo ao mostrar os conflitos que surgem quando o respeito à natureza e a simplicidade, que fazem parte da essência dos nativos, se defrontam com a ânsia pelo progresso e a maneira complicada de ver e de viver do homem branco.

“O Papalagui nunca está satisfeito com o tempo que tem... Nunca existe mais tempo do que aquele que vai do nascer ao por do sol e, no entanto, isto nunca é suficiente para o Papalagui”.


É nítida a crença de Tuiávii de que o tempo é cíclico. É algo que se renova a cada dia, o que ele entende como uma dádiva. Não é algo a priori escasso, como vê o Papalagui. Tuiávii não perde tempo pensando no tempo perdido ou no tempo a perder. Sabe que isso toma tempo e, principalmente, gera desgaste de energia e imobiliza.

“Certos Papalaguis dizem que nunca têm tempo: correm feito loucos de um lado para o outro com se estivessem possuídos pelo aitu (espírito malévolo)”.

O que diria Tuiávii se nos visse, hoje, 90 anos depois, aceleradíssimos, apertando botões e mais botões e parecendo que falamos sozinhos? E o que é pior: andando em círculos, pensando que estamos andando para a frente. Por vezes, tanto esforço para nada. Ou quase.

Acho que está na hora de reaprendermos a ver nosso tempo com olhos de um Tuiávii. Se o Papalagui não tem tempo é porque insiste em fatiá-lo e fragmentá-lo, sem perceber o seu todo.

(Condensado do livro "Tempo Orgânico"). 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Orgânico é o que nos une e nos conecta


Na noite de autógrafos do livro Tempo Orgânico, no Rio de Janeiro, meu amigo Bryan Vianna me trouxe um presente surpreendente e muito especial. Um troféu de Qualidade/Excelência recebido por ele em nome do Departamento de Mass Marketing, em cuja gerência ele me sucedera, quando deixei a IBM, muitos anos atrás. Me justificou ele que, sempre achou que o mérito era muito maior da minha gestão do que da dele, ainda recente na época da premiação. Por isso, fazia questão de me dar ali a  "posse" definitiva da bela escultura. 

Aceitei com emoção o gesto generoso e simpático por parte de um bom amigo, pois me trouxe imediatamente a lembrança da maravilhosa equipe que compunha o Departamento.

Era um grupo muito heterogêneo que conseguiu resolver uma questão crítica de interdependência funcional entre seus membros com um notável espírito de cooperação e integração entre as pessoas.  O somatório de partes correlatas, mas dispares (como eventos -feiras, convenções- e promoções, publicidade de produto, data base management e marketing direto, geração de conteúdos para publicações internas e externas, e outras atividades) conseguia se tornar sempre um todo consistente. E o mais o importante: a gente se divertia muito com tudo aquilo. 

A reminiscência me trouxe também à mente um dos pontos chaves do livro: 
   
"Orgânico é o que nos une e nos conecta"

Aproveito, então,  para dedicar o troféu ao Carvalhal, Areias, Márcio, Ângelo, Adélia, Márcia, Israel, Olsen, e os demais companheiros daquele grupo. E confesso: tenho muita saudade de vocês!  

Bryan: mais uma vez muito obrigado pelo gesto e pela belíssima surpresa!