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domingo, 12 de abril de 2015

É hora de compartilharmos tempo!


Dentro de uma perspectiva apenas linear do tempo, é comum a representação gráfica em formato de pizza, ao analisarmos a distribuição do nosso tempo ao logo de um dia, uma semana ou qualquer outro período.  Acho que o exemplo abaixo ilustra bem este formato.

Mas será que num mundo cada vez mais interdependente, esta representação continua sendo suficiente?

Todos nós temos diferentes papéis na vida. Somos chefes, subordinados, profissionais, pais, filhos, esposos, namorados, fiéis, torcedores, vizinhos, colegas, afiliados, etc. Nós não somos divisíveis e estes papéis se entrelaçam, acontecem simultaneamente e nos demandam tempo.

A interdependência cresce no contato que mantemos com os outros, em cada um desses nossos papéis. “Para a maioria de nós, a maior parte do tempo é usado na comunicação ou interação com outras pessoas” e o número dessas interações só faz aumentar.

Quanto mais oportunidades de contato, reais e virtuais, no trabalho, em casa, e nos círculos de amizades, mais nos defrontamos com a diversidade de ideias, de experiências de vida, de etnias, de origens geográficas, de classes sociais. É um mosaico que torna tudo mais complexo. Não podemos desconsiderar a importância do outro, em nossas vidas.

Como seria então uma distribuição orgânica do nosso tempo interdependente, uma nova versão da “pizza do tempo ” acima?  Uma “pizza” que deixa de lado o egoísmo e nos motiva a conjugar melhor o verbo compartilhar, como resumido na figura abaixo:


Tempo de compartilhar força criativa e energia

É uma nova maneira de se encarar nossas atividades produtivas, nosso trabalho, com foco na inovação, no coletivo, na integração, na confiança mútua.

Tempo de compartilhar emoções

É a hora do amor, do prazer, do lúdico, da troca, da música, do afeto, da alegria, dos relacionamentos de verdade. É o contato com a família, amigos, diversão, auto expressão, redes sociais. É a volta à infância, ainda que por poucos instantes.

Tempo de compartilhar conhecimentos e valores

Se a característica mais importante do profissional – e eu me atreveria a dizer, dos seres humanos - nestes novos tempos, é sua capacidade de aprender, o tempo dedicado a compartilhar conhecimentos se reveste de particular importância.

Tempo de se cuidar

Aqui, a lista é ampla. Inclui os cuidados com o corpo e com a saúde, que não deixam de ser um pré-requisito para um bom desempenho em todas as demais facetas do nosso cotidiano; os cuidados com o nosso bem estar- o que comemos, o nosso conforto, as indulgências que proporcionamos a nós mesmos para nos sentirmos melhor); os cuidados com a mente/espírito – a conexão com o sagrado, a reflexão, a meditação, a transcendência. Muitas dessas atividades podem ser feitas compartilhando experiências com outras pessoas. Por que não?

Sendo uma perspectiva orgânica, estes tempos se interpenetram constantemente, nos conduzindo a um olhar diverso do habitual, em que a premissa é que estamos todos de fato interconectados, como nos ensina a física moderna. Não se trata de uma negação da nossa individualidade mas, sim, um olhar novo, mais generoso, que pode ser estimulante e criativo, nesta nova realidade de um mundo interconectado e interdependente.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Depoimento de uma leitora em pleno Sabático



Recebi hoje este gratificante depoimento de uma leitora do livro Tempo Orgânico. Nele, a gente constata a importância de uma Pausa nas nossas vidas, para refletir e para melhor desenhar o futuro. A Cecília se deu de presente um tempo sabático e está encontrando o seu caminho, com ajuda de diferentes olhares sobre ela mesma, sobre os outros, sobre tudo que a cerca e, principalmente, canalizando tudo isso para suas próprias descobertas e revelações. Fico MUITO feliz em estar fazendo parte deste processo.    

Caríssimo Alvaro,

Estou para te escrever há algum tempo, mas...o tempo de sentar e compartilhar só chegou agora.

Venho de uma trajetória intensa, de desafios, conquistas, oportunidades, generosidade... e muitos aprendizados. E foi esse "caldo de cultura" que me levou a um tempo sabático, de reflexão, apropriação e desenho de uma próxima trajetória.

Foi prazeroso, instigante e divertido passar pelas páginas do livro. Váááários trechos poderiam ter sido escritos POR mim, e em muuuuitos outros tive a sensação de que foram escritos PARA mim.

Agradeço tanto a você, o autor, quanto ao Paulo, o emissário, por me trazerem essas reflexões e indicações.

Não tenho dúvida de que é possível e....tudo leva a crer que o melhor caminho começa por mim.

Com carinho e gratidão,

Cecília

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

MAKING OF - ERA UMA VEZ UM LIVRO...


- Vô, conta uma história? 

Estirei-me no chão, ao lado da cama do Daniel, que já estava acomodado para dormir, e sugeri:

- Que tal hoje, pra variar, a gente inventar, juntos, uma história nova?

Seus olhinhos brilharam, enquanto girava na minha direção e se deitou apoiando o queixo com as duas mãos.

- De robô?!

Pronto, estava dada a partida! Daí pra frente, a coisa foi fluindo, cada um dando um pitaco, a trama caminhando naturalmente. Mais dois personagens se destacaram: um menino e seu avô.

Quando chegamos ao final do pequeno conto, foi Daniel quem propos:

- Vovô, porque não fazemos uns desenhos e publicamos um livro?

Disse um “Claro!!!” com a voz super animada, mesmo sabendo da “encrenca” em que estávamos nos metendo. Mas nem deu tempo para ponderar nada, pois sou logo convocado pelo Lucas, no quarto ao lado.

- Vô! Vem cá! Também quero ouvir o que acontece com o robô.

Dei um beijo de boa noite no Daniel e fui ao encontro do seu irmão.

Contar o enredo novamente, logo em seguida, fez com que ele se consolidasse na minha cabeça, facilitando muito o passo seguinte. Naquela mesma noite, peguei o notebook e fiz uma sinopse da trama, já com algumas anotações para transformá-la em texto.

No dia seguinte, quando Daniel chegou da escola percorri com ele aquele resumo, anotando com cuidado seus comentários e alguns ajustes. Estava, então, pronto para redigir a primeira versão completa da nossa criação conjunta.

Escrevi em português, que tinha sido, afinal, a língua original da ideia. Li o texto inicial para o Daniel, sempre registrando suas reações e contribuições.

O passo seguinte foi começar a trabalhar nas ilustrações. Daniel rascunhou algumas alternativas para a imagem do robô, que havia sido batizado como D8, combinando a inicial do nome do personagem Daniel (que coincidência!) com sua idade, 8 anos. Escolhemos a imagem que melhor pudesse ser construída com formas geométricas básicas. Rabisca pra lá, rabisca pra cá, e acabou saindo a forma do D8. Depois, fomos bolando a ilustração da capa e de cada um dos 5 capítulos.

Aí veio a fase do inglês. Adivinha como? Google Translate!  Sim! Não ficou muito legal, naturalmente, e aí Daniel deu uma boa colaboração. Ele –óbvio - domina muito mais o idioma do que eu.

Só sei é que, de repente, tínhamos tudo que precisávamos para ir ao site Create Space (da Amazon). Escolhemos o formato, fiz o upload do texto com as ilustrações, formatei a capa, consultando meu co-autor e aí demos o último click para encomendar duas provas impressas do livrinho.

Alguns poucos dias se passaram e o “D8 Robot” chegou. O misto de alegria e surpresa do Daniel quando viu o livro e o sorriso mágico que permaneceu em seu rosto enquanto o folheava com atenção, valeram cada segundo dedicado àquele projeto. Magia pura quando nos abraçamos, comemorando a vitória. Unforgettable!!!



PS: depois de uma rigorosa revisão do texto, feita pelo Professor Amadeu Marques, e de mais uma prova, o livro pode ser finalmente liberado para venda, na versão impressa e na versão Kindle.

Veja em http://zip.net/bcqL7L









quarta-feira, 18 de junho de 2014

Por que você odeia o trabalho?

Uma recente matéria publicada pelo New York Times, com o sugestivo título "Why you hate work" (Porque você odeia o trabalho) traz um cenário inquietante sobre a relação das pesssoas com o trabalho. O artigo usa como referência uma pequisa realizada com mais de 12.000 pessoas em vários paises e que tem no quadro abaixo algumas boas explicações, comparando o que as pessoas têm (coluna da esquerda) ou não têm (coluna da direita) quando estão no trabalho. 



Em um mundo com demandas crescentes e recursos limitados, as pessoas estão trabalhando mais horas, passando o dia inteiro “escravizadas” por dispositivos digitais, e tendo menos tempo para refletir, renovar e priorizar. Como resultado, elas estão se sentindo cada vez mais esgotadas, estressadas e dispersivas. Esta não é uma forma sustentável de trabalho para os indivíduos ou para as organizações.

Muito se fala, hoje, que o tempo virou um luxo. Quando se observa o seu impacto sobre a produtividade - de indivíduos e de organizações-  e sobre a falta de realização pessoal no trabalho, onde as pessoas passam grande parte do seu dia, a suspeita é de que  mais do que luxo, o tempo se tornou, mesmo, uma das questões mais críticas da nossa sociedade.  

domingo, 13 de abril de 2014

MOMENTOS GOIABADA CASCÃO


Quando eu era menino, tanti anni fa, tinha uns tios que moravam em Campos.  Quando eles vinham ao Rio, nos traziam um presente sempre muito desejado: uma lata da famosa goiabada cascão produzida lá. Nas ausências mais prolongadas, mandavam a goiabada pelos Correios. Na época, era praticamente impossível achar aquela iguaria no comércio do Rio.

Aí, era sempre uma festa, lá em casa. Quase um ritual, na pequena família, inicialmente eu e meus pais e, mais tarde, tambem meu irmão Ricardo: abrir a lata, cortar pequenos pedaços e nos deliciarmos com aquele sabor, consistência e textura inigualáveis são detalhes que nunca mais esqueci.

Às vezes, cabia-me a "honra" de usar a faca, tentando que todas as fatias fossem rigosamente do mesmo tamanho. Sintia-me importantíssimo com aquele privilégio.

Mais do que degustações, em que eventualmente um queijo Minas ou um Catupiry também marcavam presença, era um momento afetivo muito especial.  É claro que o ritual incluia conversas sobre tia Laurita, irmã de meu pai, seu marido Clementino e os primos Marco e Anita, de Campos, que nos proporcionavam aquele prazer; além de relatos de "causos", quase sempre divertidos, sobre os parentes em geral. 

Era comum servirmos a goiabada tão apreciada a alguma visita de parente ou amigo. Pra mim, foi um um "duro" aprendizado, o de saber compartilhar as boas coisas com os outros. Nas primeiras vezes, confesso que ficava com o olho comprido, tentando calcular se sobraria algum pedaço para outra rodada, no dia seguinte.    

Simples prazeres, hábitos saudáveis de convívio familiar e amizade: boas reminicências. Momentos "Goiabada Cascão" que as nossas vidas agitadas e tecnológicas às vezes tornam difíceis de reproduzir com toda a sua intensidade "analógica", sincrônica e presencial.

 


   

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Atrasados x Apressados: duas faces de uma mesma moeda

O apressado come cru, diz o velho ditado. “Sushi , Sashimi, então?, perguntaria um desses acelerados um pouco mais mais distraídos. “Ou um sanduiche natureba, talvez”?

Suponho que a galera do fast food deve estar o tempo todo buscando alternativas para estas novas demandas por rapidez, tentando driblar as inconvenientes questões levantadas pelo mundo “saudável”.

O fato é que a pressa nunca esteve tão presente, numa “civilização” em que tanta coisa caminha para o tempo real, para o sincronismo absoluto, para o tempo de resposta imediato (já!!) , para a ansiedade em estado bruto. E, aparentemente, este exército de apressados crônicos não está nem aí para se está cru ou não. As principais vítimas costumam, ser elas mesmas, assoladas por fatores de stress insuportáveis.

Então tá. Mas e os atrasados? Seriam todos adeptos do movimento Slow Food? Desconfio que não. Conheço pelo menos dois tipos de atrasados crônicos. Há os portadores da “Síndrome de Noiva em dia de casamento”, ou seja, gostam de se fazer notar, calculando cuidadosamente seus atrasos, para gerar material para suas “storytellings”, que tentam sempre fazer soar como charmosas. E há os que parecem ter alguma disfunção do relógio interno e ainda por cima não levam muito à sério o que nos dizem os onipresentes mostradores digitais ou analógicos. Em ambos os casos, parecem “doenças” incuráveis, com o agravante de afetar outras pessoas (que nos esperam, ou melhor esperam para sincronizar-se conosco em alguma atividade).

É claro que um atraso aqui e acolá é sempre desculpável, ainda mais no meio de tantas variáveis e tantas pressões. Da mesma forma, é perfeitamente possível não se deixar “arrastar” nem contaminar pela ansiedade dos apressados, sempre a nos “cutucar”. Há até momentos em que eles se encontram, como por exemplo, num transito congestionado, a buzinarem insistentemente, uns contra os outros.

Enfim, ambos são faces da mesma moeda que é o desequilíbrio no uso do tempo nesses tempos de saturação e desperdícios.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

As cadeiras de balanço do Aeroporto de Charlotte


Cadeira de balanço em aeroporto? Pois é, nunca tinha visto. Ótima ideia!! Dei de cara com elas quando cheguei ao saguão central que une os 5 terminais do aeroporto, na Carolina do Norte, onde fazia um escala na volta ao Brasil. Nesta grande "praça" interna, sob árvores de verdade, ali estavam as cadeiras, branquinhas e acolhedoras.
Em frente a elas, as lojas, bares e restaurantes, com seu mobiliário habitual. Tive que ter um pouco de paciência até que consegui uma vaga para sentar e curtir. Foi uma delícia!!! Passei um par de horas totalmente relaxado, lendo meu livrinho e observando as pessoas. Uma coisa que me chamou a atenção é que raríssimos dos meus "vizinhos" de cadeiras estavam com seus notebooks ou tablets em punho. Parecia, de fato, que havia uma divisão entre as "tribos": a dos estressados, sentados às mesas ou à frente dos balcões dos bares, freneticamente digitando e "navegando" nos seus modernos dispositivos; e nós, ali, no vai e vem dos balanços, mais numa de descansar um pouco e desfrutar aquele momento, alguns dando um telefonema com sorriso nos lábios, outros simplesmente "dorminhocando".


É claro que, nas esperas junto aos portões de embarque, as poltronas eram as tradicionais. Mas, a caminho do meu terminal, ainda encontrei mais alguns exemplares desta inovação que nos demostra que a criatividade não precisa estar ligada a tecnologia.       

sábado, 18 de maio de 2013

OS SURFISTAS SEGUNDO HARVARD


Uma das primeiras postagens deste blog aqui, ainda na fase "experimental", chamava-se "Os surfistas carecas". Nela, falava dos surfistas que hoje são também profissionais e executivos e que, mesmo sem tanto cabelo (ou com estes "prateando") continuam a praticar o esporte com o mesmo espírito de sempre: respeitam e cuidam do mar e das praias, sabendo que neles está a fonte do seu prazer e da sua diversão; sabem lidar com os ritmos da natureza - as ondas e as marés - e delas tomar partido para seu "desempenho; e reconhecem a importância de uma pausa para recarregar as "baterias" de vez em quando.

Ontem, li, no blog da Harvard Business Review, um interessante artigo de Peter Bregman, intitulado "O Inesperado Antídoto para a Procrastinação" (The Unexpected Antidote to Procrastination). No texto, o autor nos revela diversos insights que lhe ocorreram vendo surfistas pegando onda numa praia na Califórnia. O ponto de partida foi a constatação de que praticamente TODAS as manobras desses esportistas, acabam com eles...caindo no mar. Seja um exímio e experiente praticante, seja apenas um iniciante; seja um 360o, um Aerial ou um Tubo perfeitos, seja uma desatrada queda, não importa.

- "Em todos os casos, o surfista acaba dentro dágua. A única diferença é isto ser ou não uma surpresa para ele (ou ela)" comenta Bregman, convidando a todos nós a nos comportarmos com o mesmo espírito, assumindo riscos sem receios de falhar. Como no surf, "cair" faz parte da vida e que importa é aprendermos com esse mergulho e partirmos para a próxima onda com mais vontade e determinação.

Bregman convida então a leitor a parar com esta tão comum tendência que temos à procrastinação, muitas vezes apenas com o receio das consequências:

- "Aquela conversa difícil com seu chefe (ou colega, ou parceiro, ou esposa/marido) que você tem evitado faz tempo? Tenha hoje"!

- "Aquela proposta (ou artigo, ou email) que você tem deixado de lado? Comece agora"?

- "Aquele novo negócio (ou novo produto, ou novo investimento, ou nova estratégia) que você vem analizando e analizando e analizando sem parar? Dê partida nele".

E quando você "cair" (sofrer com as dificuldades e barreiras) - porque isto é inerente a assumir riscos - suba de novo na prancha e reme de volta para as ondas. É o que qualquer surfista- careca ou não - faz com toda a naturalidade e confiança.


Veja o artigo em:

http://blogs.hbr.org/bregman/2013/05/the-unexpected-antidote-to-pro.html

sábado, 5 de janeiro de 2013

Curso Online traz nova abordagem para Administração do Tempo

Depois da publicação do livro Tempo Orgânico, nosso maior propósito no tema era criar um curso acessível, que pudesse ser disponibilizado de forma abrangente em todo o Brasil. Através do amigo João Henrique Areias - ele próprio em fase de produção de um ótimo curso online de Marketing Esportivo - fui apresentado à equipe do PreparaOnline, uma dinâmica e bem estruturada organização especializada em Ensino à Distância.

Foi uma experiência muito enriquecedora. No primeiro momento, o desafio era fazer uma fusão dos conteúdos de meus dois livros sobre Administração do Tempo, de modo a atualizar e balancear aspectos conceituais e práticos sobre o assunto. O segundo passo foi o planejamento e estruturação dos Módulos e Video-Aulas que compõem o programa, já contando com o apoio pedagógico da PreparaOnline, que também atuou na formatação dos slides e na criação de toda a parte visual dos materiais.  Depois, a divertida etapa de gravação das aulas em vídeo, ambientadas num belo cenário   tematizado.  
O Curso
Visa oferecer uma resposta a todos aqueles que lamentam a falta de tempo em suas vidas, seja pelo excesso de atividades, seja pela eventual falta de métodos eficazes para lidar com elas. A agenda combina conhecimento e práticas, para que o tempo possa ser usado de maneira mais equilibrada e mais produtiva, dentro de uma abordagem mais orgânica, menos mecanicista.

A filosofia central do curso é a construção de relações mais integradoras da pessoa consigo mesmo, com os outros e com a natureza. É composto por Vídeo-Aulas com exposições e relatos sobre o assunto, testes e exercícios, oportunidade para reflexão sobre os temas propostos e muitas dicas e sugestões para melhorias.

Entre outros materiais disponibilizados pelo programa, os alunos receberão cópia digital do livro "Tempo Orgânico" e Apostila com os conteúdos mais relevantes do livro "Uma Questão de Tempo".

Clique aqui para informações e inscrição. 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Promessas de Ano Novo. De novo?


De repente, a gente se dá conta de que o ano está terminando. É o momento em que muitos se lembram de fazer planos e promessas. Bem, nem todo mundo. Há os que seguem o "velho" conselho do Zeca Pagodinho, de "deixar a vida me levar". É uma!!

Mas acho que a maioria, ainda que acabe deixando a vida lhe levar, arrastado pelas pressões do dia-a-dia, faz algum tipo de "balanço anual". Mesmo que este dure poucos segundos durante a contagem regressiva da virada do ano:

- "Ai meu Deus do Céu, este ano bem que poderia nem ter existido!!!!"

Alguns são bastante genéricos, na hora de pensar no que vem pela frente: um novo amor, muito dinheiro, emagrecer, finalmente passar em um concurso público, mais saúde, outro emprego, fazer exercícios, etc.

Outros, capricham nos detalhes: preenchem folhas e mais folhas, especificando mês a mês, semana a semana, o que precisará fazer de concreto no futuro imediato.

Qual o certo? Qual funciona melhor? Lamento, mas nessa hora, não há fórmulas mágicas, nem regras rígidas. Isto tem muito a ver com a personalidade e o estilo de cada um.

Mas aí vão alguns pontos que eventualmente podem ajudar:
- É sempre útil avaliar o passado realisticamente e aprender com erros e acertos. Isto nos faz melhorar e amadurecer.
- O que nos fez mais feliz no ano que passou? Como replicar e ampliar estes momentos?
- Seja sincero com os "velhos" desejos não realizados. O que falta para colocá-los em prática? Continuam fazendo sentido, neste momento?
- Não tenha mais do que uma meia dúzia de metas. É o que provavelmente vai dar para administrar em meio às mudanças e coisas inesperadas que vão aparecer ao longo do caminho.
- É sempre bom registrar estas metas em algum lugar, para "gerencia-las" melhor.

Fazer planos é uma atitude saudável. Certamente melhor do que "entrar em campo", novamente, sem direção, onde o risco é você usar seu tempo a serviço dos planos dos outros. Não se preocupe se vai conseguir atingir todas as metas ou não. O importante é ter uma direção, um guia que ajude neste mundinho cada vez mais cheio de surpresas.

Feliz Ano Novo!


Foto: http://www.melhorpapeldeparede.com/images/ano_novo-4908.htm


         

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Tempo de Natal, um bom presente

Para alguns, é tempo de acelerar. O ano está acabando, há metas há cumprir na empresa; há ainda uma extensa lista de presentes para comprar em shoppings que vão ficando intransitáveis; há dúvidas sobre o réveillon, com quem vai passar, onde vai ser; há um monte de coisas pendentes a se resolver com urgência, para as viagens de férias que se aproximam. 

Para outros, é tempo de adesão ao movimento slow food: as divertidas (e sem pressa) comemorações com os amigos de várias tribos (como se multiplicam!); as festas natalinas em família ou entre amigos, na véspera e o dia seguinte, em torno de uma mesa que se espera diferente do restante do ano, ainda que quase igual à dos anos passados; mesmo quando somos obrigados a nos dividir, pelas natural evolução das famílias, cada encontros tende a ser prolongados e curtido, dentro das possibilidades de cada um.

Para outros, ainda, é tempo de mobilização para fazer o bem, dar atenção e carinho a quem necessita; de entender o que falta e onde falta e compartilhar isto com mais gente, para que a solidariedade se expanda e se torne concreta e ainda mais justa.

Para uns, enfim, é tempo de ficar ocupado, seja com seus próprios afazeres, seja com os afazeres dos outros; para muitos, é tempo de fazer menos, dar uma pausa, refletir, desacelerar.

Para todos, este tempo é oportunidade para um encontro consigo mesmo, a chance para balanço, sempre bem vindo, sobre o sentido de tudo que estamos vivendo e aonde queremos chegar. Estas últimas duas semanas do ano são, tudo somado, um bom momento para nos presentearmos com algo muito especial: pensar sobre nosso Tempo.

Foto: http://www.dreamstime.com  Ref: 11041382

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

DIREITO AO DELÍRIO (Eduardo Galeano)



Neste vídeo "histórico", o escritor uruguaio Eduardo Galeno nos brinda com este DIREITO AO DELÍRIO, a partir da definição do que é e pra que serve a UTOPIA, do cineasta argentino Fernando Berri.

CLIQUE AQUI  para assistir ao vídeo (http://www.youtube.com/embed/rpgfaijyMgg)

Foto: El Clarin

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Não deixe o stress lhe queimar

No ótimo artigo “Executivos no limite, riscos para os negócios”, publicado semana passada no jornal O Globo, o medico Gilberto Ururahy faz nos faz um duro alerta com relação ao stress nas empresas. Correndo atrás de metas organizacionais cada vez mais agressivas e difíceis de serem alcançadas, muitos executivos estão chegando “a um grau de exaustão física e emocional que pode levar à depressão e até o suicídio”, que é diagnosticado como Síndrome de “Burnout” (“queimar por inteiro”).

Segundo estudos da Universidade de Brasília, 70% da população brasileira sofrem de stress crônico e desse total, 30% apresentam Burnout, comenta Ururahy. É muita gente!!!! No ambiente corporativo , o stress é a resposta do indivíduo à pressão permanente das metas, aos riscos das tomadas de decisão, às exigencias de clientes, à disputa com concorrentes e mesmo à insegurança de perder o emprego.

Como não conseguem administrar seu tempo em meio a tantas prioridades que concorrem entre si, sucumbem ao stress. As consequencias para as empresas são claras: improdutividade, afastamentos e custos de doenças, riscos de decisões mal feitas.

E para as pessoas? Este alto nível de stress além de trazer doenças, traz uma estranha sensação de não felicidade.

Como questiono no livro Tempo Orgânico, estamos vivendo mais (expectativa de vida), mas sera que estamos vivendo melhor? Atrás de que estamos correndo com tanta voracidade?

O IBGE nos informa que mais da metade da nossa população sofre de doenças cronicas (cardiovasculares, diabetes, dores nas costas e articulações, cancer, etc. ). A Organização Mundial de Saúde (OMS) nos revela que, até 2030, a depressão sera a doença de maior incidência no mundo. É para isso que estamos (sobre)vivendo?

Minha sugestão é prestarmos MUITA atenção, mas MUITA mesmo, na maneira como estamos usando – e gerindo- nosso tempo. Que objetivos temos de fato, nos nossos diferentes papéis? Que estratégia pensamos usar para chegar neles? Sob a ótica do tempo, quais são as relações que (man)tempos conosco, com as outras pessoas e com o ambiente que nos cerca? Estamos conscientes e de fato plenamente presentes em cada momento da vida?

Enfim, muitas perguntas que sinalizam apenas para uma questão: não dá para seguir adiante à mercê deste stress endêmico de que nos fala Ururahy em seu artigo. Não é justo e, a meu ver, não é necessário deixarmos queimar o que temos de melhor dentro de nós. É hora de uma séria, profunda e criativa reflexão sobre isso.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Quatre-vingts - A arte de fazer 80 anos









O texto abaixo, de autoria de Washington Luiz Bastos Conceição, foi publicado em seu blog "Escritos do Washington" , apenas com o Quatre-vingt no título. Optamos por adicionar o "Arte de fazer 80 anos", pois foi assim que sentimos o texto.   

A quem interessa saber se alguém está completando 80 anos?

Aos seus parentes e amigos, parece-me. Os conhecidos, que em geral se mostram surpresos, com sinceridade ou não, dão pouca atenção ao assunto. Destes, serão exceções, provavelmente, aquelas pessoas que estão se aproximando dessa idade e passam a se preocupar mais com o que lhes reservarão os próximos anos.
Mas o próprio, o aniversariante, fica impressionado, pois sabe que, mesmo com o aumento significativo da expectativa de vida nos últimos anos, já passou da média, já está usando o lucro, a colher de chá do Todo-Poderoso.

Pois bem. O preâmbulo é para lhes contar que este mês estou entrando no time dos oitenta; com sentimento mesclado de admiração, preocupação, curiosidade, e com a sensação de que não está acontecendo comigo. Eu, um octogenário, incorporando a imagem que eu mesmo via dos mais velhos, há tão pouco tempo?

Não resisti, quis comentar o assunto com vocês, os poucos (porém atenciosos) leitores de meus escritos.
Oitenta, assim de repente, parece um número pesado.
Só que essa idade não chegou de repente, a velhice não se instala de vez; vai progredindo lentamente, sub-repticiamente, impondo novas restrições físicas, exigindo manutenção e revisões médicas com mais frequência (às vezes requerendo peças de reforço); e, ainda, solapando a memória. Enfim, é todo um processo que se desenvolve após o ápice da forma física, mais ou menos quando se atinge o que se convencionou chamar meia-idade.

Venho pensando, já faz algum tempo, nas várias fases da vida, pelas quais passamos, desde a infância até a velhice. Agora, entretanto, o novo patamar de idade me impressionou e me fez pensar em outra maneira de ver o número – e lembrei-me dos franceses, que não falam oitenta, mas sim quatro vintes, “quatre-vingts”. Ocorreu-me, então, que ao chegar aos oitenta, podemos considerar, por exemplo, que passamos por quatro fases de vinte anos. Nos primeiros vinte, vivemos o desenvolvimento físico e mental, adquirimos as bases do conhecimento. Nos vinte seguintes, a formação e as atividades profissionais, a constituição da família, a inserção na sociedade, o aprimoramento físico e mental. Dos quarenta aos sessenta, a maturidade, o apogeu profissional, o encaminhamento e a emancipação dos filhos. Dos sessenta aos oitenta, com a meia-idade, a adaptação às novas condições físicas, a passagem profissional do bastão e, com a aposentadoria, a ampliação do tempo de lazer; deste, é parte importante e muito agradável, para quem tem o privilégio de ganhar netos, o acompanhamento ao máximo de sua evolução.

Portanto, estou, na realidade, completando os “quatre-vingts”.
E agora, Washington?

Agora, é tratar da vida que me resta, começando por planejá-la.

Estimulado pelo livro “Tempo Orgânico”, do amigo Álvaro Esteves, estou ensaiando um plano de aperfeiçoamento de vida, a partir da visão de como desejo estar dentro de uns três anos, envolvendo saúde, residência, atividades diárias (incluindo o trabalho de escrever), relações sociais e lazer. A partir dessa visão (ou objetivo) que providências tenho de tomar em todas essas áreas para que eu consiga chegar lá nas condições esperadas.

Na verdade, é uma agenda semelhante às dos projetos com que lidei no trabalho a vida inteira. A diferença é que se trata agora de minha vida, nesta nova fase, e que eu tenho de controlar o projeto e não ficar apenas nas boas intenções de ano novo. Espero atingir as metas do plano.

Washington Luiz Bastos Conceição
(http://washingtonconceicao.blogspot.com.br)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Entrevista à Atitude Sustentável sobre Tempo Orgânico





A entrevista abaixo foi dada à Gisele Eberspacher, da Revista Atitude Sustentável.

Atitude Sustentável: De maneira resumida, como o tempo se relaciona com a sustentabilidade?
Alvaro Esteves: O fato é que nos tornamos escravos de uma concepção de tempo que não se sustenta mais, e contribuímos, com nosso estilo de vida acelerado e nossa avidez por mais informações e mais opções de consumo, para impactar e ameaçar o ambiente natural e social onde vivemos.
Assim como a economia, a sociedade, a produção e o consumo estão sendo repensados, nossa relação com o Tempo não pode ficar fora dos novos conceitos de Sociedade Sustentável. E há muitas questões aí relacionadas com o tempo, como a simplicidade, novas maneiras compartilhadas de se lidar com a interdependência, e as lições dos ritmos e ciclos da natureza.
Atitude Sustentável: Quando e como esse tema começou a ser uma preocupação na sua vida?
Alvaro Esteves: Com o uso do tempo, a relação é antiga. Em 1993 comecei a conduzir cursos sobre gestão eficaz do tempo e logo em seguida escrevi o livro “Uma questão de tempo”, que tinha aquele foco. Desde 2003, com a criação da Ekobé, empresa de consultoria em sustentabilidade corporativa da qual sou sócio, vinha tendo a oportunidade de refletir sobre a correlação entre aspectos da temporalidade e as questões socioambientais com as quais lidava pessoal e profissionalmente. Há uns três anos, surgiu o conceito de Tempo Orgânico.

Atitude Sustentável: Como você vê que uma maior organização do tempo pode tornar nossas cidades mais sustentáveis?
Alvaro Esteves: Primeiro, há a perspectiva individual do tempo, ou seja qual a contribuição que cada um de nós pode dar para as questões básicas como energia, água, postura e prática de descarte/lixos . Que tempo dedicamos a cada uma desses aspectos e onde o tempo entra neles (um exemplo simples: tempo de um banho)? Há a importantíssima questão da mobilidade, em parte relacionada com algumas decisões nossas do tipo: como quero/posso me descolocar na cidade; quais os limites das negociações sobre trabalhar em casa (home office) ou trabalhar mais perto de casa? Ora economizando tempo, ora investindo tempo de maneira mais criativa, podemos sempre procurar reduzir os nossos impactos.
Depois, há uma perspectiva de como estamos sendo capazes de compartilhar nosso tempo, produtivo ou de lazer, com outras pessoas, incluindo aí o que dedicamos a aprender novas práticas ou debater/encaminhar novas propostas que devem ser transformadas em políticas públicas na área de sustentabilidade urbana.

Atitude Sustentável: De que maneira as pessoas podem melhorar a questão do tempo?
Alvaro Esteves: O que estamos propondo é uma reflexão profunda sobre como e porque estamos fazendo as coisas. A tecnologia nos torna mais eficientes em várias atividades, mas ao mesmo tempo nos traz expectativas exageradas. Achamos que podemos ter acesso a muito mais informações, coisas, desejos e pessoas do que somos capazes, gerando estresse e, paradoxalmente, ameaçando, ao mesmo tempo nossa eficácia e nosso sentido de realização. O Tempo Orgânico propõe novas relações do indivíduo consigo mesmo, com os outros e com a natureza, na forma de usar o tempo.

Ref: http://atitudesustentavel.uol.com.br/blog/2012/07/17/tempo-organico-e-sustentabilidade/

segunda-feira, 11 de junho de 2012

PERSONAL O QUE?


Possivelmente, o primeiro serviço do tipo “personal “ de que eu tenha ouvido falar foi o professor particular: aquele contratado para dar aulas individuais a quem tinha dificuldades em alguma matéria na escola. Isso, é claro, foi MUITO antes de aparecer o personal trainer, de certa forma um precursor muito popular dos serviços pessoais que hoje estão surgindo em toda parte: personal stylist, personal chef, personal organizer, o passeador de cães, etc.

Em geral, a grande motivação para estes serviços terceirizados é a falta de tempo do contratante. Atoladas nos seus cotidianos, sempre sem “ tempo pra nada”, as pessoas acabam pedindo socorro a alguém e novas vocações e profissões são descobertas.

No livro The outsourced self (A terceirização do self), lançado nos Estados Unidos, a autora Arlie Russell Hochschild mostra a abrangência da transformação que esta ocorrendo na vida privada daquele pais, em direção a nichos de mercado cada vez diversificados. Com base em pesquisas e entrevistas tanto com os vendedores quanto compradores, Alie avalia que tudo que antes fazia parte da vida privada, especialmente no contexto das famílias – amor, amizade, cuidados com as crianças - está sendo transformado em especialidades que são empacotadas para serem vendidas a americanos um tanto atormentados.

Elas incluem desde os sofisticados serviços para se encontrar namorados(as) - onde a pessoa “é treinada para ser o CEO do seu próprio amor”(!) , a planejadores de casamento que criam a “narrativa pessoal“ dos noivos para construir a essência (do show) da cerimônia ; de “nomelogistas” (que ajudam você a dar o nome a seu filho), a especialistas em ajudar as crianças na fase de “tirar a fralda”; de “querologistas” (que assessoram a pessoa a saber melhor o que quer na hora da tomada de decisões importantes), a gente contratada para espalhar as cinzas do seu ente querido no oceano de sua preferencia, a autora nos revela um mundo em que os mais intuitivos e emocionais atos humanos estão se transformando em algo para ser contratado.

Há, inclusive exemplos que visam preencher carências emocionais que nascem da solidão de quem trabalha sem trégua , como o “Alugue um amigo” (para ir ao cinema, fazer compras, conversar ou o desconcertante Alugue uma avó (Rent a Grandma), em que uma senhora vai até sua casa para preparar um jantar com aquelas receitas de antigamente, contar historias do seu (dela) tempo e servir de interlocutor para quem tem nostalgia de reunir uma verdadeira família tradicional.

Com tantas ofertas se configurando, o perigo aqui é que o mesmo espirito consumista na compra de bens/produtos se replique na contratação de serviços pessoais.

Fonte da foto: wwp.greenwichmeantime.com

sábado, 17 de março de 2012

VIDAS SUSTENTÁVEIS


Por Rosiska Darcy de Oliveira
Reproduzido do jornal O Globo - 17/03/10


O tempo é o meio ambiente impalpável onde nossa vida evolui. A relação com o tempo é, nesse sentido, uma relação ecológica, marcada no mundo contemporâneo pela poluição das horas. Todos temos relógios, mas ninguém tem tempo. Essa constatação levou o filósofo Michel Serres a propor que renunciássemos a comprar relógios e guardássemos o tempo. Afinal, na vida de cada um, o tempo é um recurso não renovável.

O paradigma da onipotência e da falta de limite, o pressuposto de energias inesgotáveis que destruiu e continua destruindo os equilíbrios da Terra, contaminou o cotidiano das pessoas e se manifesta na multiplicidade de vidas que transbordam das 24 horas do dia: trabalho, casa, viagens. Some-se a isso a bulimia da informação e o frenesi dos relacionamentos no espaço virtual, segundas vidas que permeiam o real. Mesmo se a duração da vida humana é cada vez mais longa as horas são percebidas como cada vez mais curtas.

O dia a dia nas grandes metrópoles tornou-se insustentável como modelo de consumo e também como escolhas equivocadas, que não se sustentam em se tratando de qualidade de vida. As horas passadas em engarrafamentos de pesadelo são momentos privilegiadospara pensar em como desatar os nós do tempo das cidades. Na Itália, a lei obriga cidades com mais de cem mil habitantes a criar uma Secretaria do Tempo para estudar essa variável, decisiva na relação das pessoas com o meio urbano. Resta ainda a relação ao trabalho e à família.

A concorrência no mercado global exerce uma pressão inclemente sobre as empresas que, por sua vez, pressionam quem trabalha, fixando metas e além-metas, exigindo prontidão, ubiquidade e nomadismo. Cada um é o contramestre de si mesmo, tanto mais severo quanto mais competitivo. No mundo do trabalho, o que é urgente prima sobre o importante. Nesse reino da urgência, o estresse é a regra, e a somatização, o sintoma.

Família e trabalho se tornam rivais, lealdades conflitantes. Esse foi o leitmotiv das incontáveis comemorações do Dia Internacional da Mulher. Como conciliar carreira e vida privada? A pergunta vale para mulheres e homens que trabalham a tempo integral. Crianças e idosos terão certamente muito a dizer sobre seus pais e filhos que nunca têm tempo para eles. Um sentimento de culpa, permanente, habita os jovens adultos, com duas faces, uma voltada para a família, outra para a empresa. Homenagear as mulheres é colocar na pauta da sociedade brasileira, como um valor, o direito — para mulheres e homens — a dispor de tempo para a vida privada. Em respeito à infinidade de gestos que, em todos os tempos, elas fizeram para transformar cada um de nós em seres humanos melhores do que os selvagens que somos ao nascer. Gestos que nunca mereceram registro nos livros de história da civilização ainda que tenham sido a grande aventura educativa da espécie.

As mulheres entraram no mundo do trabalho pela porta dos fundos. Transgressoras de uma lei não escrita que lhes proibia o acesso, aceitaram condições leoninas. Acataram uma dupla mensagem: aqui, trabalhe como um homem qualquer; fora daqui, continue a ser a mulher que sempre foi. Temendo a desqualificação — a família como um “defeito” feminino — tentaram dar respostas biográficas a contradições sistêmicas. O tempo elástico tornou-se insustentável.

A vida privada foi ocultada enquanto desafio social, sem que se levasse em conta sua contribuição à sociedade De difícil solução, a questão foi devolvida à intimidade dos casais. Essa ocultação, angústia diária de homens e mulheres, é um dos núcleos problemáticos da contemporaneidade.

Em tempos de Rio+20, quando a palavra sustentabilidade está em todas as bocas, ainda que definida como na fábula dos cegos e do elefante, seria oportuno criar o Clube do Rio. A exemplo do Clube de Roma que, há quarenta anos, numa reviravolta epistemológica introduziu a polêmica noção de limite ao crescimento, retomada em recente e assertivo artigo de André Lara Resende, o Clube do Rio reuniria inteligências criativas e ousadas, hoje espalhadas pelo mundo. Atento às dimensões insustentáveis do cotidiano, buscaria o equilíbrio entre o uso do tempo e as energias humanas, mobilizando ciência e imaginação para gerar uma ecologia do tempo a serviço de vidas e cidades sustentáveis.

No futuro das cidades sustentáveis tempo não será dinheiro. Nada nos condena a transformarmo-nos em um sub-Estados Unidos.

Mais uma bela oportunidade para o Rio de Janeiro: ser a matriz de um conceito de sustentabilidade balizado pelo bem viver.

 ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA é escritora. E-mail: rosiska.darcy@uol.com.br

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A infinita beleza do Rio visto do alto






Estas linda imagens do Cristo Redentor “flutuando” sobre as nuvens foram capturada em 30/11/211 pelo fotógrafo amador Marcos Estrella, Supervisor de Operações de uma estação transmissora de TV no alto do Sumaré.



Mandei as fotos para meu amigo Carlos Machado, médico cardiologista e artista plástico hiper-realista, que mora em Austin-Texas. Ele retornou com estes dois relatos maravilhosos. Com a palavra, Carlos:

"Me arrepiei, Álvaro! Lembrei de coisas que já vi no Parque Nacional da Floresta da Tijuca, lindas como essa!

Primeira: Numa noite fria e estrelada de junho, olhando do Pico do Papagaio para a direção da baixada de Jacarepaguá completamente coberta por nuvens, ouvíamos (eu e dois amigos) os estampidos de fogos de artifícios. Pouco abaixo de nós, bem próximo à rocha do pico, vimos algo como uma imensa medusa fluorescente emergindo das nuvens, circundada de lampejos multicoloridos num efeito digno de “um” Jornada nas Estrelas! A medusa gigante, com seu bojo enorme, era um imenso balão, e os lampejos coloridos que se espalhavam por dentro das nuvens como raios globulares e fogos-de-Satelmo, eram, obviamente, os fogos-de-artifício soltados por ele! Perigosamente lindo!

Segunda: Num início de uma tarde maravilhosa, eu e um amigo chegamos ao topo da Pedra da Gávea, enquanto uma tempestade se organizava em volta daquele pico. Com medo de terem de pernoitar na Pedra, os excursionistas que estavam lá, desceram correndo. Como escalamos para passarmos a noite na caverna da “orelha”, eu e meu amigo Ronan pudemos presenciar uma impressionante tempestade de verão que ocorreu no fim daquela tarde. Passados a chuvarada, os raios, e as nuvens que cobriram o pico, e com o cheiro delicioso da mata molhada, voltamos para o topo da pedra para apreciarmos a vista. A lua cheia nascia, e ao longe, em alto mar, as nuvens formavam uma muralha laranja incandescente, que lembrava as formações rochosas de Sedona. O sol se pondo, coloriu intensamente as nuvens acima de nós, que restaram da tempestade, como se fosse a aurora boreal nos trópicos. E para fechar com chave de ouro aquela noite, um transatlântico (Queen Elizabeth?) partia da Baía de Guanabara com o(s) convés(es), mastros e escotilhas todos iluminados. A gigantesca gambiarra flutuante levou quase toda a noite para, pouco antes do amanhecer, fundir-se com o arco do horizonte, assistida pela enorme lua!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O tempo que a beleza nos toma

Não tem jeito. Nesse mundinho apressado, estressado e poluído, a gente não pode deixar de se cuidar. Com um agravante: ninguém quer parecer que está envelhecendo. Por dentro e por fora. O problema é que cuidar da nossa saúde e da nossa aparência exige atenção e, principalmente, tempo.


Investimos em tênis, uniformes, academias, exercícios, estúdios de pilates e de ioga, apostando na silhueta e no bem estar. E quem não está matriculado, está por fazê-lo “amanhã”, meio “em culpa”. Quantas horas por semana, mesmo? No caso das mulheres – e do crescente contingente de metrosexuais - o tempo para esses cuidados se amplia. Há desde os salões de cabeleireiros, dermatologistas e centros de estética até o dia-a- dia no chuveiro e nos intermináveis “retoques” em frente ao espelho. Quantos minutos por dia, mesmo?

A cada dia, um novo produto “milagroso” tem surgido para tentar corrigir ou mascarar as mínimas imperfeições, para valorizar os menores detalhes, para retardar os inevitáveis processos de desgastes. Mas nem tudo que “reluz é ouro” e muitas das promessas não se cumprem. E o que é pior, muitas das substâncias químicas que compõem essas fórmulas mágicas são nocivas á nossa saúde, especialmente quando se acumulam em nossos organismos.

Produtos orgânicos e naturais têm surgido como resposta a estes dilemas, se apresentando como escolhas que permitem atender aos dois lados da questão –beleza e saúde - quase sempre tomando partido da riqueza da biodiversidade do Brasil. Parece fazer sentido adotá-los, simplificando nossas decisões e deixando de desperdiçar tempo com as eventuais conseqüências de escolhas erradas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Consumir consome tempo. Já pensou nisso?


Nem sempre nos damos conta disso, mas consumir pode representar uma parcela relevante do nosso já minguado tempo.

Há o tempo para ir e vir à loja, shopping ou supermercado (se não for compra on line); os tempos de escolha (que podem ser longos, se o item a comprar for caro ou complexo); os tempos nas filas para pagar; o tempo para reclamar (nem sempre as coisas saem como a gente espera); o tempo para aprender a usar (se houver nova tecnologia, como um novo smartphone, pode levá-lo(a) á “loucura); o tempo para manutenção e limpeza; o tempo para o descarte, quando não queremos mais “a coisa” (alguns objetos têm o descarte correto difícil, às vezes até problemático; mesmo uma doação acaba levando tempo).

Isto sem falar que muitos objetos que fizemos entrar em nossas vidas acabam esquecidos: livros que não foram lidos até o fim, CDs ouvidos apenas um par de vezes, fotos e gravações em vídeo que jamais foram repassadas, eletrodomésticos que passaram a não fazer sentido quando chegaram em casa; roupas e sapatos comprados na liquidação porque estavam “muito baratos” que ficaram esquecidos em algum canto do armário. Ou seja, gastamos “horas” para literalmente nada.

Fonte da foto: http://sacoladamoda.blogspot.com/2011/04/dicas-sites-para-comprar-pela-internet.html